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15 de mar. de 2010

Livrai-nos da rotina!



 Me convidem para uma daquelas surubas calígolentas, prometo que farei um bom trabalho. Apertarei paus e dedarei bocetas. Perderei toda a minha inocência e respeito próprio. Arrancarei a roupa de qualquer um que lá estiver, e com minha boca farei jorrar litros de gozos, seja de homem ou de mulher, eu farei um bom trabalho! 

Não cobrarei reciprocidade, não me julgarei dona de verdades. Me doarei de corpo e órgão genital, e de cu também.  Sugarei todos os líquidos para meu interno desejo de saciar o alheio desconhecido, até repito: farei um bom trabalho!

Se por acaso eu estiver quase gozando por força do momento, pararei e retalharei meus próprios sentidos, não quero sentir nada além da sensação de altruísmo sexual.
Me convidem para esse evento, mas por favor não me peçam para fazer tudo igual no dia seguinte. Eu não me encaixo nas rotinas...

14 de mar. de 2010

O maravilhoso mundo do Shoptime


Oi, meu nome é Bendita Margarita e eu estou viciada em Shoptime. Há dois dias, no entanto, não compro nada por telefone, internet ou catálogo, e me considero por isso uma vitoriosa. Nem quando o Bottini grita, nem quando a Flavinha lembra que minha cozinha ficaria muito mais funcional com uma faca elétrica Fun Kitchen nem quando aquela outra meio gordeta passa a mão pelo conjunto de cama Bali 300 fios percal e me descreve o prazer do toque do algodão puro, geladinho, com a pele em uma noite de verão. Não compro, não compro, há dois dias já.

Mas não resisto às sirenes ou às caras de surpresa quando o preço das panelas La Cuisine baixam de 260 para 199 felicidades, acompanhando ainda um conjunto de utensílios para a cozinha e tigelas em inox. Durante o lançamento, anteontem, da batedeira orbital profissional Fun Kitchen, que bate massas leves, amassa as médias e sova as pesadas, tive o que me lembrou um orgasmo: meu corpo estremeceu, meus pelinhos do braço eriçaram e gemi, ofegante.

Hoje tenho 16 cartões de crédito estourados, e devo um total de 9 mil reais a quase todos os bancos do país. Minha casa, super-equipada e moderna, não tem luz - desviei o dinheiro que pagaria à Light para a nova esteira LifeZone, que tonifica glúteos e pernas enquanto assisto TV no modelo de última geração que comprei durante o Eletroinfo no fim de semana passado.

Mesmo sem luz - ou água, já que também tive que dar o truque da galinha morta pra cima da Cedae - me considero feliz. E tendo isso devidamente colocado, peço publicamente aqui a colaboração de algum leitor gentil que possa ceder o espaço da casa para abrigar todos os meus apetrechos multifuncionais. Nessa brincadeira toda, fui alvo de uma ação de despejo e não tenho pra onde ir ou levar meus dotes. Mas, há dois dias, não compro nada.

10 de mar. de 2010

O jejum



Havia marcado no relógio: depois das oito da noite, não comeria nem beberia mais nada. Na manhã seguinte, faria exames de sangue que dependiam das doze horas de jejum dedicado e sofrido. Detestava jejuns, adorava comer, e repudiava qualquer imposição médica além de seu entendimento básico.

Para se esquivar da bronca e da tensão com a proximidade do encontro com a agulha e o garrote, sentou no sofá e ligou a TV, mas nada prestava. Pegou uma revista, pegou outra, depilou as axilas e tomou uma ducha rápida pra se limpar dos estresses do dia.

Com o prazer da água gelada escrevendo caminhos por seu corpo, abriu a boca e deixou que as gotas entrassem. Por uma fração de segundos, pensou em deixá-las seguirem seu caminho natural e refrescassem órgãos tão cansados. Sorte ou aviso divino, lembrou-se do jejum. E cuspiu debilmente.

Deitou-se na cama e, no computador, leu emails. O tédio acabaria quando o namorado chegasse do trabalho, desejoso de momentos hedonistas com aquela mulher que havia escolhido pra si. E ele chegou, cansado, quase quando o relógio marca a mudança de um dia para o outro, mas com o desejo latente. Se abraçaram e beijaram e abraçaram a idéia de fazerem pecados suados no sofá-cama marcado por cigarros outrora acesos.

Lasciva como era ela, jovem em cada poro sacana, desceu os jeans que guardavam as jóias que a faziam tremer. Beijou e provou o gosto que tanto gostava, e quando o prazer já não mais cabia em si, percebeu a terrível verdade: havia burlado o jejum.

Tem coisa pior que ejaculação precoce?


Resolvi colar essa imagem (pra ver maior é só clicar em cima), pq acho o yahoo respostas uma das coisas mais engraçadas que eu já vi. Tem pergunta pra tudo, e vc sente o cheiro do deespero alheio... Desespero é uma coisa muito gozada.

Mas voltando à pergunta do título: Tem coisa pior que ejaculação precoce? 
Nãaaaaaaaao, acho que não, acho que é pior do que disfunção erétil. Sim, pq daí vc sabe que não vai subir mesmo, é frustrante, mas não tanto como um vapt-vupt sexual. Se criança precoce já é irritante, imagine a ejaculação né? Imagina uma Maysa em formato de pênis "the flash". Afeeeeemaria!

Cara, e tem outra, a penetração é um momento tão lindo, tão sublime, tão perfeito, às vezes vc só quer que nunca mais acabe. Mas, em contra partida, eu imagino o quanto deve ser difícil o ser humano querer segurar o gozo e não conseguir, deve ser muito dolorido. E pior, depois de sei lá, dez segundos, dar aquela gozada indesejável, não consegir disfarçar a respiração ofegante, do tipo: - “Tô afobadinho, foi bom, mas sei que fiz merda”.

É deprimente olhar nos olhos do ser humano com gozo precoce. Por isso que eu digo, tem muito homem aí que deve levantar os dedinhos pro céu e agradecer por eles todos os dias. Afinal, tamanho nunca foi e nunca será documento, e de fato, talento é o que conta, principalmente nas horas de crise.

Áh e para aqueles meninos que tinham dúvidas sobre o Boston Medical... fica aí a dica do nosso amigo, o Carlos Eduardo, que prestou condolências ao precoce "WIWI". 
Os homens são fascinantes né? 

Beijo pra todos!

9 de mar. de 2010

O Segredo de Heleninha Roitman - Ela sempre teve razão!

 Direto de WASHINGTON

Pesquisa revela: Dois copos diários de álcool ajudam as mulheres contra a obesidade.

 - As mulheres que tomam dois copos de vinho, cerveja ou outro tipo de bebida alcoólica diariamente correm menos risco de engordar do que as abstêmias, revela um estudo publicado nesta segunda-feira.

Cientistas do hospital Brigham and Women de Boston (Massachusetts, nordeste dos Estados Unidos) ouviram 19.000 mulheres americanas sem problemas de sobrepeso, com idades de 39 anos ou mais, sobre a quantidade de bebidas consumidas diariamente e as monitoraram durante 13 anos.


Nesta pesquisa, o grupo maior, com 7.346 pessoas, era formado por mulheres que não consumiam bebidas alcoólicas em hipótese alguma, revelou o estudo divulgado nesta segunda-feira na publicação Archives of Internal Medicine.

O segundo grupo mais importante, com 6.312 mulheres (cerca de um terço do total), era formado por mulheres que tomavam cerca de um terço de copo de vinho, cerveja ou outra bebida alcoólica por dia, enquanto 20% tomavam um copo; 6%, dois; e 3%, mais de dois.
O copo de álcool considerado padrão nos Estados Unidos, seja uma taça de vinho (15 cl), um copo de cerveja (35 cl) ou uma doses de 43 ml de uma bebida com uma graduação alcoólica de 80, contém a mesma quantidade de álcool, 14 gramas.

No período de 13 anos estudado, as mulheres que não consumiam álcool foram as que mais engordaram, e as que tomavam o equivalente a dois copos diários foram as que mais próximas ficaram do peso ideal.

O vinho tinto se mostrou a bebida mais eficiente contra o sobrepeso, mas todos os tipos de álcool consumidos, inclusive o vinho branco, a cerveja ou os licores, mostraram a mesma “associação inversa entre consumo de álcool e o risco de sobrepeso ou obesidade”, segundo o estudo.

Os autores do trabalho evitaram, no entanto, recomendar o consumo de álcool como maneira de lutar contra a obesidade, devido aos problemas médicos, psíquicos e sociológicos vinculados.

O que você está esperando?  
Habemus Bebidaaaaaaa!!!!

4 de mar. de 2010

Ai de ti, Copacabana

Dia desses estava na praia de Copacabana com o namoradinho alemão.
Um ladrão visivelmente drogado se aproximou dizendo “Quero tudo do gringo aí. Passa tudo”. Eu, querendo amenizar a situação para não traumatizar o turista, ofereci ao pobre homem 20 reais de meu bolso.
Surpresa foi a minha quando ele disse “Não, de você não. Tu é trabalhadora. Quero do gringo aí.” Quando a gente acha que já viu de tudo na vida ainda somos surpreendidos por um ladrão com consciência social.
Fiquei pensando o que leva um ladrão a ter tal atitude. Será que existem especificações para os ladrões, como “ladrão de turistas desavisados”, “ladrão de playboy marrento”, “ladrão de senhorinhas inocentes”?
Imagino-o chegando para o chefe do bando dizendo “Pô o movimento tava fraco hoje, só tinha trabalhador”. Isso procede?
Depois de uma breve discussão tentando convencê-lo a não levar mais do que 20 reais ‘do gringo’ (afinal, este valor já garantiria a droga da noite) ele deixou a praia nos desejando boa noite, boa sorte.

A religião segundo Riobaldo


“todo-o-mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas. Por isso é que se carece principalmente da religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara a loucura. No geral. Isso é que é a salvação-da-alma... Muita religião, seu moço!”

Quem escreveu foi o digníssimo, morto e enterrado, porém ainda vivo Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas. O trecho desse clássico da literatura brasileira me fez recordar uma de minhas aventuras quando universitária, em que durante um projeto antropológico tive que experimentar o tal “estranhamento” dos que interagem em culturas que não são nativos. Pois bem, como bela ateia que sou, nada melhor do que me esbaldar estranhando alguma dessas religiões fundamentalistas; e lá fui eu, me embrenhar em uma conhecida igreja “de crente”.

Acreditem, eu, que sempre achei um absurdo essa insistência do ser humano em aceitar dogmas que não me entram na cabeça, quase abri minha esmirrada carteira e fiz uma pequena contribuição durante o culto. Não que eu tenha sido contagiada pelo lero-lero que ouvi. Pura lorota, enrolação total – com todo respeito aos seguidores da religião, é claro. O que me deixou abismada foi a fé das pessoas. Elas realmente acreditavam em tudo o que ouviam. Sem o menor pudor, berravam, pulavam, em um misto de “aleluia irmão” e “eu acredito” que só vendo mesmo para acreditar. E a Coladinha aqui, mera espectadora, que fez de tudo para não chamar a atenção naquele ambiente - que em minha concepção era no mínimo excêntrico - fui justamente o centro dos olhares mais incriminadores, por não me render aos rompantes religiosos em nome do Senhor-Todo-Poderoso.

Quando a socióloga disse que depois de interagir com a cultura escolhida nossa visão ia mudar, mesmo já tendo realizado uma vasta pesquisa sobre o tema, ah-há, claro, não acreditei. Fui ao tal culto só para confirmar o que eu já sabia: pilantragem em cima de uns fanáticos enlouquecidos. Mas... Não vamos dizer que mudei de ideia, mas ampliei minha visão. Existem pessoas que precisam desesperadamente acreditar em alguma coisa para suportar as idas e vindas da vida. E quem sou eu para criticar?

De minha parte, prefiro não aderir à crença religiosa alguma e continuar louca de verdade, como disse um dos meus ícones literários, o Rosa. Não, não sou nenhuma niilista, mas o que posso fazer se tudo o que gosto e faço é pecado? Prefiro continuar não acreditando que vou passar a eternidade queimando no fogo do inferno. Portanto, se a minha vida terrena é baseada em momentos orgasticamente profanos, os religiosos que não me condenem, pois eu não falo nada deles. Mas, por favor, que ninguém venha se explodir perto de mim.