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15 de ago. de 2011

Bacantes pós-modernas


Nós, bacantes, somos musas eternas; nossa existência não se limita a presença de nossa carne, quando nossos feitos continuam sendo lembrados, por muitos e muitos anos... mesmo que como referência do que “não deve ser feito”. Vivemos em função do culto ao falo que nunca nos satisfaz, porque nunca estamos satisfeitas; assim, em meio a floresta, amamos, adoramos Baco, deus do vinho, dos excessos, do sexo.

Nosso desejo de sentir todos os prazeres mundanos em sua plenitude não tem limites. Não há obstáculo que nos impeça de descarregar nossa fúria pela vida... e somos obrigadas a procurar refúgio entre as montanhas mais isoladas, para podermos nos embriagar em nossa loucura, sem a presença dos olhares de reprovação.

Queremos dançar nuas. Queremos arte, poesia. Queremos fazer amor na hora e no lugar em que sentirmos vontade. Queremos contemplar a beleza da simplicidade da vida, espremendo cada segundo de nossa existência. Queremos berrar de alegria ou cair em prantos desesperados. Queremos agir sem pudores. Queremos beber e nos drogar até cair. Queremos abraçar a terra, tomar leite na teta dos animais, queremos sentir o gozo da vida muito além da vagina escondida entre nossas pernas.

Mas se nós, bacantes, não pudéssemos buscar refúgio secreto nas montanhas, o que faríamos? Viveríamos reprimidas em sociedade? Como esses atores sociais que precisam constantemente interpretar um papel, fugindo de seus instintos, sempre reprimidos e negados? Atores que sequer assumem interpretar uma imensidade de papéis diferentes...

A sociedade é uma farsa de mau gosto, que te julga por ser e fazer exatamente o que todos gostariam, mas não têm coragem; preferem se render à censura. Nós, bacantes, preferimos cultuar o grande órgão sexual de nosso deus Baco, enquanto cantamos nuas na chuva, enquanto nos masturbamos, enquanto fazemos amor umas com as outras.

Mas se nós, bacantes, não temos refúgio... exerceríamos com ardor nossa embriaguez causada pela necessidade de amar, ou nos renderíamos ao meio social, com medo de sermos execradas, vistas como loucas? Não somos loucas. Loucos são os que nos recriminam, enquanto tentam desesperadamente driblar sua loucura interior. Eis aí o paradoxo, a maior loucura dessa imensa mentira que é a existência humana, moralista e hipócrita.

Por horror a toda essa comédia dissimulada, nós, bacantes, nos renderíamos. E viveríamos deprimidas, odiando os muros construídos com os tijolos da cultura repressora, que não permitiria que nos entregássemos à vida exatamente como gostaríamos, como precisamos. Sempre sentiríamos a sensação de que falta alguma coisa... nunca descobriríamos o que essa coisa de fato é.

E ainda assim, apesar desse grande esforço que custaria a perda de nossa sanidade (porque reprimir nosso amor pela vida, isso sim é loucura), seríamos julgadas, seríamos vistas como lascivas, promíscuas, quando nossa única razão na vida é a busca incessante pelo amor. O amor segundo sua compreensão.

O amor é uma troca, uma de suas manifestações é o sexo. Sexo despudorado, mas sexo com amor; mesmo que esse amor dure somente o momento da penetração. Nós, bacantes, queremos, precisamos ser amadas, desejadas, cultuadas, da mesma maneira que cultuamos nosso deus. Nós, bacantes, não queremos ser hostilizadas, vulgarizadas, mas se necessário mandamos seus valores e princípios morais para a puta que o pariu.

Se a sociedade é uma farsa, nós, bacantes, queremos viver nossa própria mentira, não a mentira dos outros. Com as pernas arregaçadas para que nelas penetre ar, esperma, vida. Nós, bacantes, queremos sentir o gozo da existência. Queremos ser possuídas, queremos possuir, nessa mistura de sensações que inebriam nosso permanente transe.

Não um transe que anestesie, como ocorre com tantos infelizes que se fingem satisfeitos com a medíocre existência. Mas um transe que nos liberte, que nos permita questionar a vida, mas nunca questionar nossa necessidade de satisfazer nossos desejos; que apenas são insanos por não fazerem parte dessa loucura, que é viver sob a repreensão dos próprios sentidos.

1 de ago. de 2011

THE ACTIVIA TOUCH

Em primeiro lugar, quero dizer que se esse é um texto machista, fica todo o crédito para José Cuervo, autor do post e protagonista da vez. Novamente, ele presta colaboração nesse blog. Quando eu critiquei a maneira como ele escreveu, a resposta que recebi foi: “Bom, só retratei exatamente como foi. Se foi machista, sorry. Esse sou eu!”. Pois é. Ainda assim, esse sujo come uma penca de moçoilas, quase que diariamente. Vai entender... Bem, preciso admitir que a história é hilária, se me permitem dizer. Vale a pena ler até o fim, apesar das observações de péssimo gosto que esse idiota faz – que, hipocrisia à parte, são sinceras e compartilhadas por um bom número de espertinhos como ele. Ah, as partes rosas são apenas algumas pequenas observações minhas, como leitora fêmea que sou.

Chega a noite de sábado. Música alta em casa para aquecer as turbinas. Figurino impecável, perfume importado, olhos de tigre, mais uma noitada se inicia. Noite perfeita para mais uma aventura sexual (Fanfarrão). Mal sabia o que a vida reservaria para mim dessa vez. Na balada, corpos em movimento, troca de olhares, vodka na mesa, copo na mão e pimba! Aconteceu aquele beijo encaixadinho na gostosa do camarote. Pegação fervente, ignorando a antiga “peguete” que se encontrava no recinto, claramente a fim de um “flashback”, daqueles que a faziam corar as bochechas e suspirar ao amanhecer na minha cama. (Idiota)

Mas ela não estava nos planos dessa vez. Era a vez da gostosa inédita (só há uma coisa mais apreciada por um homem do que uma buceta: uma buceta diferente! – frase de minha autoria) (Babaca! mas, preciso admitir. Novidades sempre são bem-vindas). Depois de tantos pegas na balada, repleto de expectativas na hora da saída, me deparei com o inesperado. A gostosa estava com duas amigas que dormiriam em sua residência e não poderia ceder ao “sequestro” proposto. (Ah-ha, muito bem feito) Droga, e agora? Noite tão boa e finalizá-la sem uma bela cópula? Ainda mais depois de estar na “vibe” da vodka? Claro que não! Ainda há uma esperança...

Liguei para o amigo que foi dar carona para a “peguete” e pedi para que a deixasse em minha porta, pois já estava a caminho de casa para “executá-la”. Ela chegou meia hora antes de mim, afinal, ainda queria dar uns últimos amassos na gostosa inédita. (Cara, a mulher tem que estar mesmo com muita vontade de dar, para deixar de lado o mínimo de amor-próprio em função de uma fudelância total no fim da noite. Ok, não vamos julgar essa pobre coitada, que queria apenas momentos ímpares de puro prazer com um pinto qualquer). Chegando em casa, fomos logo pro que interessava. Sexo! Sem conversa, sem carinhos, só sexo. Quando ela subiu em mim, pude perceber o quanto ela precisava daquele flashback. Como rebolava! Como queria! Como comi!

Não resistindo àquele rebolado, comecei com umas palmadas e logo fui alisando o cuzinho dela e, aos poucos, colocando meu dedo. Nossa, como ela estava molhada! (Cu molhado? Suspeito isso, hein?). Comentei isso com ela, com aquela voz de safado, e ela nem respondeu. Só continuou sentando e eu com o dedo trabalhando em conjunto com o pau. A surpresa foi quando tirei o dedo. Descobri que tenho talento para Yoga, para medicina alternativa, para terapias orientais, sei lá... sei que ela disse: “Ih, acho que te sujei!”

“Porra, era o que me faltava, menstruou em cima de mim”, pensei inocentemente. Pois foi bem pior. A maldita teve o esfíncter, de alguma forma, desregulado pelos meus toques. Vazou merda! Na minha perna! Inferno! (HAUHAUHAUAHUAH AUHAUHAUAHAUHAUHAUA HAUHAH!!! Levou uma cagalhadaaaaa!!!!!!). Ela levantou-se e foi ao banheiro lavar a “cagada”, enquanto fui fazer o mesmo no outro banheiro. Voltando para o quarto, lá estava ela. Deitada, ruborizada, desconcertada, querendo morrer (Coitada... juro que fiquei com pena da moça). E eu, ainda de pau duro (santa vodka!), pensei bem e fui finalizar o serviço. Vinguei-me com aquela gozada digna do espetáculo do chafariz do Belaggio, em Las Vegas. (Mas é mesmo muita vontade... porém, o trabalho sujo - literalmente sujo, nesse caso - precisa ser finalizado) Nem quis pensar muito no assunto. Estava cheio de créditos para virar e dormir. Foi o que eu fiz. Nem “boa noite” dei, porém atingi meu objetivo de transar naquela noite (Indelicado).

Maquiavel disse com propriedade que “os fins justificam os meios”. E para isso, cagadas acontecem algumas vezes (Valeu então, fudecão linha cult). Com isso descobri uma interessante manobra, que batizei de “The Activia Touch” (!!!). Portanto, quem tem problemas de prisão de ventre, pode contratar meus serviços. Só não o farei em cima da minha cama novamente.

Um abraço e até breve.
José Cuervo.

23 de jul. de 2011

Mulheres que causaram...


... beberam, se drogaram, se prostituiram ou quebraram regras sociais. FODA-SE o mundo, elas quiseram tocar fogo, viver tudo que a vida poderia dar. Quebraram a cara, os copos, a casa... mas fizeram o que queriam e são lembradas por suas obras. Acho que muitas acreditaram que a ressaca não viria, e tiveram razão! No topo da lista, a mais recente.
  1. Amy Winehouse (1983 - 2011)
  2. Anna Nicole Smith (1967 - 2007)
  3. Cássia Eller (1962 - 2001)
  4. Elis Regina (1945 - 1982)
  5. Janis Joplin (1943 - 1970)
  6. Marilyn Monroe (1926 - 1962)
  7. Billie Holiday (1915 - 1959)
  8. Carmem Miranda (1909 - 1955)
E não poderiam ficar de fora:
  • Helena de Almeida Roitman ou Heleninha (1988 - 1989 e 2010 - 2011)
  • Mona Lisa ou La Gioconda (1503 - 1507). Tenho certeza! Aquele sorrisinho não me engana...
Mais alguém?

22 de jul. de 2011

Gozo


abro as pernas
gozo algumas vezes
minhas mãos satisfazem
o desejo que não sei conter

posso gemer muito alto
posso fazer qualquer um ouvir
sentir cada toque
cada curva

de meu corpo despido
de minhas pernas sempre abertas
que só sente o doce gosto
quem não tem medo

de colocar a boca
explorar com a língua
e sentir muito
muito prazer.

Pequenas fagulhas de nada com manteiga de cabra



Mimese
Eu…> soou… > EU.
E se quiser algaravia sou.
Míngua de língua num mimodrama.
Derrama tua secura na minha cama,
Que de tão plana é caixão.
Onde te deitas e esparramas.
Abro janelas ao novo vento monção,
Recebo na cara partículas de monera
Tua boca sangrou, eu bebi,
Teu gozo monospérmico engoli,
Um perdigoto gritando ouvi,
No monólogo da gosma paixão

Amor perecido
- Queria Jorge, te comprar moscatel, mas prefere os mostruários de papel, porque pastel?
- Gosto da cor do papel pardo, me lembra os dias árduos de sol no sertão.
-Olhe esses recortes, continua afogado em muçuranas e bucetas de mucamas, que vergonha.
-Enquanto respirar, prefiro as cobras e as negras chupar, na minha boca não é teu lugar.

Cena no Rio Sena
Precipito-me dizer que teu peido deve ter aroma de patchuli.
Aproveita essa tarde, passeia com Eulália a menina gralha.
Navega no teu eutrófico rio barrento.
Enquanto um coliforme meliante grita:
- QUERO MORAR UM APARTAMENTO ITINERANTE! 

Mulheres que nasceram no lugar errado


Eu acredito em vida após a morte. Não acredito que somos simples folhas soltas no universo, mas também não acho que cada um tem um destino exato a cumprir (coisa brega). Mas acho que, antes de cair por aqui, de paraquedas, podemos meio que pré-definir as coisas. O problema é que nem todo mundo tem a santa sensatez para “programar” sua existência e acaba nascendo em um lugar completamente errado. E entram em crises depressivas, ficam histéricas, sofrem de ansiedade, da porcaria toda, porque nunca se encontram em lugar algum, nunca estão satisfeitas com nada, sempre acham que falta alguma coisa. E ficam se perguntando: mas que porcaria eu estou fazendo aqui?

Sim, queridos, eu sou uma dessas que não soube se “programar”. O que não é de surpreender, já que para mim é motivo de grande sofrimento seguir premissas ditas básicas como ser organizada, ter hora marcada para viver e estabelecer compromissos à longo prazo, como se fosse possível saber se o que eu quero amanhã vai ser a mesma coisa que quero hoje. O que me conforta (eu sei que é péssimo, mas conforta sim) é saber que existem algumas pobres coitadas que sofrem do mesmo mal que eu e acabam trocando comigo suas lamentações sobre a amalgamada vida. E como também acredito na lei da atração, nada mais justo do que atrair a amizade de mulheres emocionalmente desequilibradas como eu.

Como exemplo, faço a vulgar reprodução de um diálogo que tive recentemente:
- Estou depressiva hoje, me sito mal com tudo, passei o dia meio que chorando... só de pensar que tenho que trabalhar todos os dias, eu fico mal.
- Nem me fale... se alguém me obrigasse a trabalhar com horário, dia certo, presa em algum lugar, eu teria um troço. Juro que não suportaria viver desse jeito. Acho que nascemos na sociedade errada. Deveríamos ter nascido em uma tribo indígena que não têm contato algum com os brancos, assim viveríamos nuas, preocupadas apenas com a arte e com o amor.
- Concordo.

Mas não. Nós nascemos em uma sociedade em que nos são impostas regras sociais escrotas; se tentarmos transgredi-las, podemos sofrer entre as variantes “morrer de fome” ou “ser apedrejada por gente hipócrita”, que não suporta a ideia de ver que alguém teve coragem de fazer ou falar o que ela sempre quis, mas não consegue. Confesso que minha medição de coragem está lá embaixo. Mas pelo menos eu não tenho medo de questionar a vida, as pessoas, a mim mesma.

Aí você se pergunta: será que eu também nasci no lugar errado? Bem, vamos lá... Sexo pode ser muito, mas em geral é só sexo; a vida é muita coisa para você ser obrigada a viver tão pouco; você não ligaria se pudesse sair andando nua por aí; você não se importa em berrar no meio da rua; trabalho só vale a pena se te fizer feliz, não for uma obrigação com hora marcada e foda-se se te dá dinheiro ou não... melhor, trabalhar para quê?

Você é capaz de falar coisas que nunca nem sonhou em fazer, só para provocar gente reprimida que te julga por viver; você não entende porque compromisso tem que ser sinônimo de dar satisfação incondicional de sua vida, nem porque as pessoas se preocupam tanto com a sua exsitência (que estão sempre criticando), em vez de tomarem conta da vida delas; você nunca se enquadra em lugar nenhum, sempre se acha um ponto solto em todos os buracos que se enfia. E o pior... você anda tão relapsa com tudo, que em geral, simplesmente nem se importa mais.

Sinto informar, minha querida, mas se concordou comigo, você também nasceu no lugar errado. Mas não se faça de vítima por isso, odeio autopiedade. A culpa é sua, que não tem o mínimo senso de direção para se guiar. E nem estou insistindo naquele papo metafísico com o qual iniciei esse texto. Escolhas podem ser feitas em todos os segundos de nossa existência. Bem, detectar o problema já é um belo primeiro passo.

E se bater o desespero, pode fazer como eu. Encha a cara sempre que possível, procure um psiquiatra que te receite remedinhos contra ansiedade, procure um terapeuta que ature as divagações de sua cabecinha dodói e, o mais importante: agende uma viagem de final de semana em uma casa no campo, bem afastada da civilização, fique nua no meio do mato, faça um ritual naturalista à mãe natureza, depois mergulhe no rio, do jeitinho que veio ao mundo. Essas são minhas resoluções para as próximas duas semanas em que ainda habitarei essa sociedade capitalista-repressora-escrota. Fica a dica.

19 de jul. de 2011

Brigadeiro


Porcaria de brigadeiro. Eu não queria comer, mas sem perceber, vi a panela ali, cheia até a borda. Queimei a língua, que está bem ardida, mas é bom lembrar que saboreei cada colherada com muito gosto. Pena que muito antes de saciar minha vontade, o brigadeiro acabou.

Sobraram apenas as raspas no fundo da panela. Elas são as piores. Porque mesmo não podendo mais sentir o doce, eu insisto em tentar pegar os pedacinhos que sobraram. Restos que apenas me deixam mais aguada, instigam mais meu paladar. Não que eu não queira lavar a panela. É que não sei bem como jogar água e depois passar sabão.

E o que é que vou fazer com uma panela limpa? Tentar enxergar meu reflexo lá no fundo? O inox sempre deixa tudo tão embaçado... Agora não sei se o brigadeiro era mesmo tão bom, ou se meu desejo de comer algo que não sei preparar fez com que ficasse ainda mais delicioso.

O maior problema é que não sei me controlar; mesmo sabendo que engorda, que chocolate demais não faz bem. É tão difícil ter brigadeiro em minha panela, que quando aparece, quero comer tudo de uma vez. E que se dane se vou passar mal depois.

Pena que nunca fiquei satisfeita. E sempre acabo reclamando da raspinha que fica grudada lá no fundo da panela, que mesmo esfregando com muito detergente, dá um trabalho danado para limpar. Ainda assim, não consigo deixar de gostar de brigadeiro. Pena que não sei cozinhar.