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24 de mar. de 2012

Arpoador



Quero falar sobre a chuva, que durante a madrugada regou as ruas dessa
cidade de concreto. Sempre que estou triste, chove. É como se o céu chorasse por
mim as lágrimas que não derramo. E eu, que amo tanto sentir a chuva, nunca me
molho. Eu só ouço, só olho.

(...)

Nunca senti tanta necessidade de mergulhar no mar como nessa manhã. Só
para poder sentir, nem que fosse por um único momento, essa sensação de
liberdade que não é minha, que não tenho. Mas o mar percebeu o que eu queria e
colocou suas águas de ressaca. E me fez entender que eu não estava pronta para
me desprender de mim desse jeito. “Você não suporta sua liberdade”, ele falou.
Eu não mergulhei.

(...)

Subi as pedras e fiquei olhando o sol nascer. E todo o desassossego em
mim foi se diluindo com o sopro do vento salgado... foi se dissolvendo. Pena o azul do céu não ter vindo me cumprimentar e dizer: “Oi, tudo bem? Você por aqui? Escuta, tudo bem você não
ter entrado no mar. Estar por aqui já é um começo”. Só que ele não veio. Mas
mesmo escondido sob as nuvens, me presenteou com uma das paisagens mais
lindas que meus olhos já viram. Era exatamente o que eles precisavam ver e meu
corpo sentir. Céu e mar brancos. Os dois se amavam, gozavam sob meu
consentimento. Eles eram um só.

Concepção
Pensei em chorar, mas por quê? O que seria o pouco sal que brotaria de
meus olhos, comparado ao infinito sal que meus olhos contemplavam naquele
momento? Fechei as pálpebras secas e respirei fundo a maresia, enquanto sentia
a vida entrar em mim. E abri os olhos para ver a vida... nascer de mim.

(...)

Eu queria ser uma daquelas gaivotas que dançavam no céu opaco e
esfarelado. E escolhia sempre uma para acompanhar com o olhar, enquanto
imaginava como seria estar ali... e voar. Como consolo, o vento embalou com
carinho meu coração e sussurrou em meu ouvido que eu aprendesse a aceitar esse
corpo que limita minha alma. “Mas não deixe que seus pensamentos e sonhos se
limitem”. Mesmo falando baixinho eu escutei, apesar de toda a limitação que há
em mim.

(...)

Como podia a felicidade estar ali tão perto, todo esse tempo, sorrindo?
Ela estava ali, e eu não podia chorar em sua presença. Eu não tinha esse
direito. Mas eu quero, eu preciso de alguma forma, escoar a vida presa dentro
de mim. Só que não sei se meus olhos suportariam a enxurrada. Nem sei se essas águas
aliviaram o peso no meu coração.

Quando tive que ir embora dali, quase chorei.
Eu deveria ter chorado.

Eu não queria abandonar o consolo que encontrei para minha alma. Estou
tão presa em mim mesma, que já me abandonei demais.

(...)

Eu acordaria ali todos os dias de minha vida. Mas esse mundo em que
vivo, que não é o meu, não me deixaria fazer isso. Existe algum lugar para mim?
Um lugar além de mim, justo eu, que nunca me encontro. Não deixo de me
perguntar se eu suportaria lidar com a liberdade desse meu não lugar.

Eu fui embora. Voltei, mas ainda não sei se eu estava pronta para
voltar.

(...)

Descoberta
Enquanto eu caminhava pelas ruas, já sentia o coração que novamente
doía. Mas se não fosse essa dor, aquele nascer do sol não teria redimido minha
alma. Devo me perdoar pelos erros que acredito ter cometido? Foi quando, pela
última vez, ouvi o vento sussurrar:

“A tristeza é necessária para que você possa compreender a plenitude
de simples momentos de felicidade”.

Fui dormir triste.
Quando acordei, chovia novamente. Ainda chove... em mim.

18 de mar. de 2012

.

Esse buraco cheio de lágrimas tento preencher com palavras, em vão. Sou
incapaz de expressar o que sinto para mim mesma, sou incapaz de preencher
linhas no papel. E essa necessidade nunca saciada me corrói a alma. Pesa em
mim. Sou uma poeta sem versos.

E quando tentar escrever o que nem sei sentir me consome demais, leio,
devoro letras de outros. Ler pode ser mais intenso do que horas, dias, meses de
existência. Às vezes, chega a doer.

Mas o que dói mesmo é a incapacidade de escrever e fazer com que
janelas de minha alma sejam abertas. E permitir essa luz que só brilha lá fora,
dentro de mim. Só há poeira, lágrimas, letras, solidão.

No dia em que pensei ir além de apenas existir, gritei, chorei, me
senti desesperadamente viva. E cavei bem fundo para procurar em algum lugar
algo que me sustentasse, que me fizesse suportar a sensação de viver. Mas não
havia... não há nada em mim. Além do eco do grito que não dei, que não para de
soar em minha cabeça. E dessa dor que me desorienta o espírito.

16 de mar. de 2012

Episódio de hoje: a delegada de Olinda

Aaaaaaaaaah, o carnaval. Oportunidade ímpar em que moçoilas colocam para rodo suas pepecas em chamas, sem nenhum tipo de aflição moral. Nem preciso citar os rapazes que desfrutam vigorosamente dessa estação-anual-propícia-ao-amor (só para ser romântica) e saem metendo o pinto em uma vasta quantia de buracos quentinhos, que altruisticamente oferecem sem pudores seu almejado abrigo. O que percebemos é a concretização do ato filantrópico, para não dizer putaria declarada. Aaaaaaaah, valores humanitários!

Sendo assim, nada mais junto do que usar minha folia carnavalesca como gancho para contar um singelo episódio que apresenta singular moral da história: “A enrustição não leva ninguém a nada, posto que, em algum momento, a necessidade de movimentos pélvicos vai despertar coceiras em todos os seus orifícios, sejam anais, bucais, vaginais, narebais e afins”. E você, acostumada (o) a ser exemplo de puritanismo, vai degustar de um momento especial de total insanidade e perversão sexual. E o pior (para você, porque eu acho essas situações divertidíssimas), isso vai acontecer no meio de um monte de gente, o que pode te fazer acordar em crise existencial como jamais tiveras antes. É por isso que eu adoro ressacas morais. Nos outros, é claro.

Pois eis que juntei minhas tralhas, meti o pé da cidade maravilhosa e fui fazer pegação junto aos bonecos de Olinda. Cocotinha antiga da pista como sou, ninguém esperava de mim menos do que fiz. Beijei uns desconhecidos gateréssimos e não deixei sequer qualquer tipo de possibilidade para novo encontro. E também não copulei com ninguém, posto que eu não estava a fim de liberar minha refinada flor do campo para desconhecidos no meio da rua. Logo, eu jamais seria alvo de um post carnavalesco nesse blog. Então, vamos logo ao que interessa, já estou há três parágrafos falando meia dúzia de merda e ainda não entrei no tópico principal dessa fábula, que não tem nada a ver com a-vida-com-ela-realmente-é (ah-ha).

A delega
Eis que fui apresentada a uma jovem senhora, mulher madura, bonita, recém separada de um relacionamento de anos. A pobre entrou em depressão, fez tratamento psicológico e, apenas agora, meses após o pé na bunda, começou a se recuperar da dor de corno que a possuia ardorosamente. Super discreta e recatada, ela quase não bebe e, segundo uma de suas amigas, também não pegava ninguém diferente há anos. Mas aaaaaaaaah, não. Não poderíamos deixa passar em branco a oportunidade dessa pobre curtir seu primeiro carnaval mais soltinha do que arroz Tio João.

Eu, em companhia de dois filhotes de mal (para não dizer espíritos desprovidos de luz superior), levei essa moça para as famosas ladeiras de Olinda, na intenção de que ela fizesse uma pegaçãozinha básica, nada de mais, sabe qual é? Só pra abrir espaço na aglomeração de teias de aranha entranhadas na boca. Levando em consideração que ela é nada mais nada menos do que uma delegada com um posto pica das galáxias no sudeste, boba que não é, colocou um boné e óculos escuros para não ser reconhecida nas vielas escuras da vida carnavalesca.

E foi aí que começou
Para variar um pouco, comecei a encher o pote insanamente com minhas consortes, e a delegada que estava na vibe, inventou de acompanhar a gente.... ai, papai. Não demorou muito para que, em vez de dar uns beijinhos em um aqui, outro ali, ela simplesmente começasse a enfiar língua na boca de geraaaaaaaaaaal que visse pela frente. Enquanto ela estava só agarrando os moços feito uma taradona no cio (e não queria saber se estavam acompanhados ou sozinhos), tudo bem, ainda estava tranquilo.

A merda foi quando a louca simplesmente começou a bolinar o órgão sexual-peniano-masculino de tudo que é macho que via pela frente, praticamente transformando as chapeletas desconhecidas em um quibe no processo de preparo. Papai, tensão total. Em um dado momento, um dos rapazotes sexualmente molestados por ela, cheio de dor no pintinho recém-apertado, gritou: “Rapariga da porra!”. Adoro as nomenclaturas nordestinas. Faltou pouco para eu ouvir o adjetivo “rameira” ou “meretriz”. Sensacional. A Delegada de Olinda apertou a-cobra-que-cospe-sabão de geral, trocou saliva com todo mundo e mais um pouco e, por sorte, passou desapercebida com seu disfarce na linha Clark Kant.

Ela quase se safou
Eis que cansadas, resolvemos partir para casa, descer as ladeiras de Olinda em busca de um táxi para, enfim, abraçar nossas camas após um animado dia de folia. E não é que não contente em ter feito a pegação que entrará para os anais da história de Pernambuco, a porra da delegada doidona me começou a gesticular e berrar na rua já vazia, feito uma louca: “Eu quero roooooooooooooola! Não tem uma roooooooooooooola aquiiiiiiiii! Eu quero uma roooooooooooooooola bem graaaaaaaande!”. Uma insana.

Mas não pensem que a graça foi essa. A graça foi ver um engraçado vir correndo em nossa direção, assustado com tão adorável discurso (ou seja, chocado com a situação), para perguntar todo esbaforido: “DELEGADA, A SENHORA TÁ BÊBADA?”. Preciso dizer que eu caí desesperadamente na gargalhada nesse momento? Nossa heroína teve a identidade revelada no auge de sua liberação-verbal-da-intensa-necessidade-de-atividades-do-coito que a afligiam naquele momento. Foda-se, achei engraçado e ri mesmo. Alto, por sinal.

Não contente, após esse vexame, ela começou a molestar sexualmente o taxista (que era um gostosinho, mas ficar apertando o pau do cara foi sacanági). Fato esse que só descobrimos quando o pilantra abriu o cinto, provavelmente para facilitar o trabalho manual que estava sendo realizado pela moça sentada atrás dele. Ao perceber o que ocorria ali, demos um berro, eu agarrei a mão da maluca, que ria feito uma pomba gira possuída, e a proibi de se mexer.

E não é que no fim todos sofremos e pagamos devidamente nossos pecados? A Delegada de Olinda simplesmente vomitou o táxi inteirinho – bem feito pro filho-da-puta do motorista que facilitou os afagos de uma trêbada no seu pinto -, respingando boa parte da secreção estomacal em mim (pobre de mim!) – bem feito para mim, que fiquei rindo compulsivamente após a revelação da identidade secreta da delegada.

Mas é claro que no dia seguinte ela não lembrava de nadica de nada. Para nós, ficou claro que aquele ser não era ela, era a materialização do capiroto encarnado em seu pobre corpo embriagado. Ainda assim, não acostumada com as sacanágis da vida, ela se sentiu tão mal que não saiu com a gente nem mais um diazinho sequer. Pena. Poderia ter aproveitado muito mais.

E é por isso que eu digo, meus caros. Enrustição, não. Liberação total de seu furor pélvico contido, sim! Mas sem faltar o respeito com o outro, é claro. Nada de sair fazendo quibe no pintinho dos moços ou bolinar a pepeca das moças sem permissão. Mas estando tudo liberado, o importante é ser feliz. E viva o carnaval de Olinda.

15 de mar. de 2012

Um cabaré, algumas performances e uma lambida no pé


Parecia que eu tinha entrado em uma psedo-Nárnia, um mundo mágico com seres estranhos tanto quanto estátuas do século XIX para uma festa daquele naipe. A noite era de Cabaré e atravessei os portões daquele palacete encantado em busca de diversão.

Estava com uns amigos, mas cada um no seu estilo, parecia até que não estávamos juntos, ou que éramos completamente desconhecidos tanta era a diferença entre nossos visuais. Mas junto aquela gente toda, era fácil nos encontrar, assim como todos os outros amigos. Estávamos diferentes e todos os outros iguais: moderninhos em busca de identificação. Nosso objetivo era outro. Qual? Não sei, só tenho certeza que não era para ficar indiferente aquele grupo de pessoas.

Um grupo adentrou ao salão do Cabaré enquanto uma banda tocava algumas canções. Vestidos de festa, roupas de couro, fraldas, saias, sandálias, máscaras, chicote e nudez, tudo junto nas mesmas pessoas e no mesmo lugar. Uma miscelânea de cores, imagens, formas e sons. Entre cervejas, caipirinhas e tequilas, levamos a noite. Dançamos, nos esbarramos, beijamos. Ficamos todos doidos demais para suportar a paralisação de alguns cidadãos naquela de devia ser a noite da saliência carioca. Fomos zoar o plantão. Mais álcool em nosso sangue já ralo. Mais entorpecentes para liberar a mente.

Então, no sofá em uma viagem profunda, alguém levanta meus pés como em um filme dos anos 20, me senti realmente aquelas damas que moraram ali. O sapato foi tirado e senti aos poucos algo molhado. Por todo o pé. Olhei e ficamos ali: eu na mesma posição enquanto ele acariciava meu pé com a boca. Não mais que de repente, estava novamente no meio da multidão, agora descalça, com os pés no chão sentindo outras texturas, entre mais amigos e bebidas, nos permitindo mais algumas doses para colocarmos o bonde na rua a caminho de casa.

Uma festa dessas só no próximo ano. Ou melhor: acho que nunca mais. Ou é fácil encontrar alguém em uma festa temática que você nunca viu para cair literalmente a seus pés e lamber o chão que você pisou? Algo como voltar no tempo e sentir mulherzinha, algo profano e puro ao mesmo tempo, momento de liberdade e realização. Saliente, envolvente e nada invasor.

3 de mar. de 2012

Quase uma carta de amor


Amor da minha vida,

Não sei  bem como começar a escrever isso para você. Poderia ser subjetivo, fazer metáforas, dar a volta ao mundo, mas seria maldade, uma ofensa a sua inteligência, assim, aqui, a ideia é a objetividade, então, acabou.

Antes de você se desesperar e aforgar-se em lágrimas, saiba que amo você. Suas risadas, seu corpo, seu cheiro, seu beijo... tudo me enlouquece de tal forma que não consigo me controlar quando estou ao seu lado, mas... quero amar outras pessoas.

Não se choque com minha sinceridade, sou assim, nunca gostei de enganar as pessoas ou magoá-las além do necessário. Pense no lado bom: faço isso na intenção de nunca sacanear você, pois mais dia ou menos dias isso iria acontecer, me entregar a outros braços faz parte da minha natureza, e eu não posso ir de encontro aos meus instintos.

Sei que irá me xingar e nunca me perdoar pelo que estou fazendo, mas entenda a minha situação: sou do mundo, sou o meu mundo e você fez parte dele. Sei que o romantismo tomou conta de mim muitas vezes e que eu disse que o meu mundo era você, mas foi o calor do momento, acho que sabe o que quero explicar...

Assim, finalizo aqui essa linda relação que a gente viveu dando a você a certeza que continuarei amando você e preservando esse sentimento. O futuro nos reservava o fim dele, e, parando por aqui, ele nunca acabará, terá sido o amor mais fantástico que terei vivido!

Agora, daqui para frente, o destino será responsável pela nossa felicidade e, se for da vontade dele, um dia volto para você, quem sabe?

Sabendo que sempre sentirei saudades, com amor ♥

Sua cara metade

19 de jan. de 2012

Na galeria

Quando eu era jovenzinha, assim, igual a você, mas eu nunca tinha era ouvido falar desse negócio de gozar, viu? Aqueles tempos eram outros, sabe, minha filha? Tudo era muito segredo, moça de família só via um pau depois do casamento. Ainda assim, não sabia o que fazer com aquele troço. Se soubesse, tinha de fingir que não sabia, porque saber mexer em pau era coisa de puta, mulher da vida.

Aí, pra você ver. Eu que não sabia de nada, porque era moça virgem de família, tive uma lua de mel muito da merda, viu? Eu não sabia como mexer naquela coisa dura na minha frente, e o Antônio também não ajudou muito não. Saiu metendo a pica grossa aqui em mim de qualquer jeito, e eu que não sabia se aquele negócio de noite de núpcia era bom ou ruim, só senti dor. Com o tempo, nem doía mais tanto, ficou suportável. Mas bom, ah, isso não era não. Fiquei foi é aliviada quando minha mãe falou que era assim mesmo, porque moça de família não podia gostar dessas coisa, tinha era que abrir as perna para satisfazer as necessidade do marido e ter filho. Aí eu pensava, “ah, que bom saber que não tem nada de errado comigo”.

Antônio era muito bom pra mim, sabe? Mas não sabia fuder direito não. Fuder mesmo, ele só fudia com as puta da zona, que hoje eu sei. Mas isso aí só fiquei sabendo bem depois dele ter partido dessa pro outro lado. O apelido dele na zona era pica de ouro, mas esse ouro mesmo eu nunca senti foi não. Só fiquei sabendo disso depois do meu segundo casamento, com o Adalberto. Eita, mas esse era mais carinhoso que o falecido, viu? Mas esse negócio aí de gozar, esse eu ainda não sabia nem nunca tinha ouvido falar.

Até o dia em que eu tava na feira e uma mocinha muito bonita me reconheceu na rua e perguntou pelo Antônio. A pobre não sabia que ele tinha atravessado pro outro lado. Eu não sabia que ela era puta. Mas ela sabia que eu era a esposa do falecido. Ih, mas quando eu contei ela chorou foi por demais, que me chegou a dar dó da pobrezinha, viu? E eu sei é que conversa vai, conversa vem, eu que ainda era moça nova e inocente e não entendia nada desses negócio de mulher da vida, fiquei condoída e convidei a amiga do falecido para tomar um cafezinho lá em casa.

Aí ela veio falar dessa história de gozar que eu não entendia, que era muito bom, essas coisa toda que eu nem nunca tinha ouvido falar. Expliquei que eu era moça direita, de família, que só abria as perna pro marido fazer os trabalho e poder ficar satisfeito. Ih, mas a moça riu por demais e disse que ia me ensinar umas coisinha. E começou a ficar me alisando, me mostrando que aqui é bom, aqui também, e eu briguei com ela, mas que abuso era aquele? “Sou moça de família, ei!”.

Mas ela tanto insistiu que eu fui gostando. E ela foi alisando meu peito, colocou a boca na minha xota, e eu sei que quando eu vi, subia uma coisa de lá de dentro que parecia explosão e fiquei toda melada lá embaixo. Aí ela disse que eu também podia fazer essas coisa sozinha, que também era muito bom, que eu devia de tentar. E me fez fazer tudo na frente dela, que era pra ela ver se eu fazia direito. De começo foi meio difícil, mas com uma ajudinha dela aqui, empurrãozinho ali, foi que foi uma maravilha, eu não sabia que dava pra eu fazer aquelas coisa toda comigo mesma sem ajuda de ninguém!

Aí ela me explicou que eu devia por fazer mais um monte de coisa com Adalberto, que os homens gostavam muito, que era assim que puta fazia e por isso os homens largavam as mulheres em casa pra ir pro puteiro. Ela me ensinou a tocar punheta, pagar boquete, prender o pau com a xota, falar sacanagem, rebolar de um monte de jeito, fazer um monte de posição diferente, dar o cu e usar umas coisas de lingerie que não tapava era nada. “A intenção não é essa. É que eles gostam de olhar. E preferem as vermelhas de renda. Tenho uma novinha na minha bolsa, acabei de comprar. Toma, fica de presente pra você”. Primeiro fiquei muito assustada, mas depois me senti por demais de agradecida com a boa vontade da moça em me ensinar tudo com tanto cuidado e destreza.

Porque choque mesmo eu levei foi quando ela viu minhas fotos de casamento e contou que conhecia Adalberto porque ele ia muito no puteiro. Ela disse que ele era muito do bom comedor de xota e adorava sacanagem. Ah, mas disso eu não gostei não. Fiquei muito foi da danada. Se meu marido tinha que ir na rua comer puta, eu ia ser puta pra ele na cama e não ia de dividir ele era com mais ninguém, viu? Foi o que eu pensei, né, minha filha? Aí, quando Adalberto chegou em casa, eu tava lá, toda arreganhada, esperando ele com um troço todo enfiado no rabo, que me assava a buceta e o cu todo, mas que eu aguentava porque Rosicleia falou que ele ia gostar. Eu pensei que ele ia ficar todo feliz, mas quando me viu tomou foi é um susto. “Mas o que é isso mulher?!?! Você ficou desmiolada?”. Mas eu nem dei tempo dele falar mais nada, saí abrindo a braguilha dele e meti a boca no pau, coloquei tudo de uma vez só.

Ih, mas ele ficou foi é doido, viu? Aí falei sacanagem, rebolei de tudo que é jeito, igual Rocicleia ensinou, dei o cu e ainda engoli a porra. Ele ficou igual esses cachorro quando tão no cio, fez umas coisa muito gostosa em mim, melhor do que Rocicleia tinha feito. Ih, minha filha, aí que eu gozei por demais, várias vezes, muito bom. Não sabia que esse negócio de sexo era bom não, viu? Porque moça de família não comentava essas coisa e só podia abrir as perna pra satisfazer marido.

Mas não é que depois disso tudo, quando eu achei que ia ter Adalberto só pra mim, sem ter que dividir com as puta da zona, ele me largou no dia seguinte? “Se eu quiser puta, vou num puteiro. Moça de família, futura mãe de filho meu, não faz essas coisas não. Pode arrumando suas trouxas e se mandando daqui, que piranha debaixo do meu teto não sustento. Sei lá o que você pode fazer quando eu não tiver em casa”. Eita, mas eu fiquei foi é por demais de desesperada. Chorei, esperneei, expliquei que eu não ia fazer era nada com ninguém não, mas não teve jeito. Puta dentro de casa, ah, isso ele não queria.

E eu que não sabia fazer era nada, não conhecia quase ninguém – porque moça de família não podia ficar se dando ao desfrute por aí –, nunca tinha trabalhado, fui procurar Rocicleia na zona. Foi lá que fiquei sabendo que o apelido do falecido Antônio era pica de ouro. E não é que esses homem todo não gastavam de uma puta? Via tudo que era marido de conhecida minha procurar mulher da vida no puteiro. E foi lá no puteiro que eu ganhei foi é muito dinheiro, fazendo tudo e mais um pouco que as moça de família não podiam fazer.

Ih, mas eu gozava era muito, viu? Lá eu podia ser qualquer coisa, fazer o que quiser, que eles até gostavam. Mas se eles gostavam tanto, só não entendia porque não queriam saber de casar. Depois de um tempo eu já tava cansada da vida, eu queria um marido, entende? Eu sabia me comportar, porque diferente de quase todas as puta, sempre fui boa moça de família, não fui criada assim de qualquer jeito não. Eles gostavam muito da minha trepada mas também gostavam da conversa. Tinha uns que largavam as esposa em casa e iam era pra zona passar o dia só comigo. Mas casamento? Ah, não senhor, isso nenhum deles queria comigo não.

Aí, minha filha, fiquei velha, mas fiz meu pé de meia. Hoje não dá mais pra fuder, tá tudo caído, mas tenho uma lojinha de artigos pra casa que construí com dinheiro que juntei da época em que eu era da vida. Quando eu era puta eu tinha mania de ficar olhando todas as coisa que eu queria de ter se tivesse uma casa com marido e filho, aí tomei gosto pela coisa e hoje vivo disso. Todo dia vendo um pedacinho dos meus sonhos pra essa gente toda que vive entrando e saindo daqui do meu estabelecimento. Porque casar, isso não consegui não. E agora que tô velha, ninguém mais nem me olha. Até esses velho da minha idade só querem saber de menina novinha, sabe, jeitosinha assim igual a você.

Mas hoje em dia as coisas são diferentes, viu? Homem não liga mais tanto pra esse negócio de ser puta não. Tem marido até que leva esposa todo dia pro puteiro pra ela trabalhar, mas vê se pode isso?! Hoje eu vejo esses jovem daí falando que gostam disso, colocam mão naquilo, mulher casada falando putaria e comprando sacanagem nessas loja que vende produto de safadeza pra homem e pra mulher. E quer saber, esse povo é que é feliz. Bobo são esses homem aí que não sabem dá valor pra mulher que sabe usar bem a xota e trabalha direitinho com a pica. Essa juventude de hoje é muito mais esperta que o pessoal da minha época, sabe? Mas e você, minha filha, já decidiu o que vai comprar?

17 de jan. de 2012

Despeito feminino



Admito que meus posts andam levemente cafonas-reflexivos. Eu tinha prometido a mim mesma que não criticaria mais os outros, muito menos quando esses outros são caras com quem eu fico ou já fiquei – até porque eles entraram em uma de ler esse blog, logo, não ia ficar muito legal caso se deparassem com uma esculhambação de minha parte. O fato é que foda-se, cansei de segurar a língua em busca de elevação interior. Venho na próxima vida como um ruminante que mastiga capim para ver se consigo me elevar espiritualmente. Até lá, parei de chorar minhas crises depressivas nesse espaço, vou choramingar na cadeia ou no travesseiro, que é lugar quente.

Verdade seja dita, o Mulheres que Bebem bombava muito mais quando eu escrevia meia dúzia de merda. É disso que vocês gostam, né? Di sacanagi. Então, como eu também gosto, vamos à dita cuja que é o que interessa. Mas antes, gostaria de pedir a colaboração de nossos leitores no desenvolvimento desse blog de finura ímpar. Sugestões de pautas, relatos da vida pessoal, críticas de um amigo corno, pedidos de conselhos, qualquer coisa serve. Não que eu tenha me tornado o guru portador da total sabedoria terrena. Mas é que eu gosto de causar polemicagem, semear a discórdia é uma arte para poucos.

Vamos ao que interessa
Então vocês se perguntam, “e o título desse post”? É o seguinte: é mole meter o malho apenas no gênero portador de um falo que balança, como se as xaninhas em chamas fossem referência de perfeição. Não, isso não é correto. E só para não falarem que sou um ser injusto, o objetivo hoje é esse mesmo, falar mal de mulher.

Vamos ser francos. Sofremos – e muito - com um estereótipo de beleza que não é viável para 99% das fêmeas saudáveis, não geneticamente modificadas, cirurgicamente transformadas, quimicamente tratadas ou atochadas de silicone e botox. Ainda assim, adoramos criticar as rolicinhas. Adoramos falar mal do cabelo da outra. Achamos defeito na porra da unha encravada no dedão do pé da biscate oxigenada. Crescemos em uma sociedade a qual fomos condicionados a vida toda a acreditar em um padrão de beleza que não existe. Nos matamos para ficar o mais próximo disso, e as pobres que não conseguem – ou simplesmente não se importam e por isso merecem todo o meu respeito – são esculhambadas. Ô racinha desunida.

Não tem coisa pior do que o clássico comentário “Aquela gorda se acha a gostosona”. Pois minha querida, sabe por qual motivo você, que não tem nada a ver com a vida da tal gorda, se importa tanto e perde tanto tempo criticando a pobre coitada? Porque você, que no fundo se acha uma porcaria, com a auto-estima arrastando no chão, não aceita que a gordinha seja feliz apesar de ser gordinha e fica com raiva dela. Não pense que estou inventando isso não, pois até Freud explica. Sabe como ele caracteriza esse comportamento? Projeção, minha cara. Projeção.

Para que você se sinta bem, você precisa se matar na academia, passar fome e mofar em clínicas estéticas. Ou então você pode até não fazer nada disso, mas não está feliz com o que olha no espelho. Logo, que absurdo uma mulher ser desencanada e largar um foda-se para o mundo. Absurdo mesmo, já que ela se veste como bem quer e bem entende, pois está feliz com seu corpo que, apesar de não ser igual ao das magricelas bombadas das revistas, também é bonito – senhores antropólogos, me ajudem a explicar o conceito de boniteza, por favor, antes que alguém me bata.

Pois bem, minhas queridas, aí vocês ainda dizem: “se fosse bonita eu admitiria, mas ela é feia, falo mal mesmo”! Sinto informar, mas você não é menos despeitada por isso. O mais engraçado é quando as críticas partem de jovenzinhas que também não estão lá essas coisas dentro do padrão de beleza sugerido pela indústria cultural, e não percebem que são o clássico exemplo do sujo falando do mal lavado.

Exemplo recente


Um belo dia, ao adentrar minha residência trajando uma saiazinha na linha tchutcholina-vagaba-quer-você, recebi um belo elogio de uma de minhas tias, que fez a seguinte observação: “Ela é tão bonita, novinha, fica linda nessas roupas. Mas ridículo é quando uma dessas velhas acha que pode se vestir igual garotinha. Semana passada fui a uma festa e vi uma conhecida com um vestidinho, de salto alto, achando que era menina! Aquela ridícula, que raiva dela!”.

Isso mesmo, meus caros. Ela disse “raiva”. E sabe por que ela ficou com raiva? Porque a velha também estava doidinha para colocar aquela rabeta dela de fora, mas por não ter competência para isso, já que acha que não pode (e eu só queria saber o quê, além do preconceito dela, a impediria de fazer isso), ela mete o malho na outra. Aposto que minha tia seria muito mais feliz se tivesse vestido minha saia de piranha e saído por aí, sorridente e contente rebolando a bunda murcha, cagando na cabeça de quem pensasse mal dela por causa disso. Pessoas assim, meus caros, essas sim merecem meu total respeito e admiração. Afinal, colocar rabão durinho e empinadinho para jogo é mole, né?

Enfim, em vez de ficar igual uma tarada-preocupada-com-a-aparência (que está bem longe da moçoila da capa de revista), a mulher deveria se preocupar mais em investir seu rico dinheirinho em cultura. Vá para o teatro, cinema, vá comprar livros, vá para o raio que o parta, mas pare de encher a porra do meu ouvido falando das suas celulites e das celulites das suas amigas – que sempre são piores que as suas.

Aí, você se defenderia dizendo que homem é tudo igual, só pensa no exterior da mulher, logo, se você não se cuidar, não pega nem resfriado debaixo de uma nevasca. Bem, seria muita hipocrisia da minha parte dizer que o exterior não conta. Mas se o cara SÓ PENSA NISSO, minha querida, sinto informar: ele é um babaca que não merece meu respeito, muito menos momentos ímpares de prazer com minha pepeca sapeca e muito bem cuidada.

E para finalizar, o conselho utópico (porém verdadeiro) da ordem do dia: em vez de se preocupar com bundas grandes, querida, se preocupe em ser uma pessoa melhor, porque um dia, de um jeito ou de outro, a sua bunda vai cair, isso é fato. Mas você pergunta: Devo me tornar uma relaxada? Claro que não. Se cuidar faz bem para a auto-estima. Mas é preciso haver limites. Admito que sou patologicamente vaidosa. Mas pelo menos eu me critico e questiono – bastante - por isso, o que já é alguma coisa.

Logo, meninas, parem de falar mal das outras meninas porque elas estão felizes como são. Ou não. Liberte seus cabelos crespos (que eu acho lindos), mostre suas gordurinhas, não coloque três quilos de pó na cara toda vez que sair de casa, não gaste todo seu dinheiro com roupas caras. E o mais importante: Não critique as moças que são bem resolvidas a ponto de não se importarem com essas baboseiras todas. Abaixo a maledicência. Cada um com seu cada um. Afinal, como já disse o grande poeta brasileiro Paulo Leminski, “No dia em que merda for merenda, pobre de mim que nasci sem cu!”.