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11 de abr. de 2012

A atrevida do Sana


Pessoa recatada, Gabriela raramente chama atenção na rua. Ela sabe que tem uma reputação a zelar: seu trabalho não permite grandes exposições, seja por conta dos chefes, seja pela imagem da empresa séria a qual dedica os seus dias. No entanto, o furor que aparece em seus trabalhos nada mais é que um desvio das atividades que ela mais gosta de fazer, mas não tem tempo - ou lugar. Dessa forma que Gabriela apareceu numa região longínqua, quase terra de ninguém. Ou melhor: terra de pessoas livres. Liberdade. Isso que ela necessitava.

Árvores, cachoeiras, trilhas, cheiro de terra molhada, sol, chuva... tudo conspirava a favor dela. O mundo estava aos seus pés e ela sabia disso. Monta barraca, muda a roupa e parte rumo ao paraíso. Liberdade do corpo e da mente. Conversas froxas, risos largos, abraços sinceros, beijos... isso não, ainda está presa aos seus pensamentos cidadescos. Mal sabe ela que a sua hora está por vir. E cada vez mais perto.

***

Agora In Sana, insana. Dança como se não houvesse amanhã, diverte-se em suas próprias viagens, corre-se contra o tempo para fazer curar as dores do passado, busca-se mais sorrisos, mais gargalhadas. Ri das tragédias do mundo, chora pela felicidade dos amigos. Doce vida, doces sonhos, doces na alma.

Um rapaz de capuz se aproxima. Estranha a tal liberdade. Vê uma doida, mais louca que o normal na região. Bate os ombros, não se importa, afinal, quem era ela? Copos de cerveja e backs passam de mão em mão. Passam pelas mãos já dormentes de Gabriela que recusa cada um. Quer ver a Lua ir embora. Deseja que a noite termine e o Sol volte a brilhar e esquentar seu corpo. Não consegue.

***

Dia de cachoeiras, mais um dia de liberdade. Água gelada para lavar a alma de uma noite perdida. Ou melhor, aproveitada como se fosse a última. Mais uma viagem, só mais um dia. Entre amigos recém-feitos, diverte-se ao som de músicas que não distingue. Leva os amigos para a mesma viagem. Busca mais risos, um ombro amigo, uma conversa ao pé do ouvido e coincidências. Muitas.

Todos vão embora de repente. Vê-se sozinha, mas feliz. Extremamente feliz. Sonha com um mundo que não existe na realidade. A Lua volta a iluminar seus sonhos. Jamil, sem capuz, faz companhia. Não se sabe se em sonho ou real. Mas a conversa rola solta: falam sobre o céu, sobre trabalho, cantam juntos... luzes brilhantes, pessoas com cabeça de árvore, piadas sobre câmbrias e sexo...

Ele vai novamente. Ela fica. Ele volta. Mais conversas.
Ele, tímido. Percebe que a doida do dia anterior é outra pessoa.
Ela, tímida. Não vê a possibilidade de nada além de um bom bate papo.

***
Beijos. Beijos. Mãos. Mãos. Pescoços. Pescoços. Orelhas. Orelhas. Meta: ver o sol nascer novamente. Nenhum interesse a mais. Ao menos que se tenha falado claramente. Só os gestos demonstravam o objetivo real.

***

A cachoeira corre em frente, o som da água batendo nas pedras cria um ambiente favorável. Borboletas passam, passarinhos cantam. Jamil e Gabriela se entreolham. A natureza conspira. O desejo um pelo outro aumenta a cada segundo, a cada toque, e ali mesmo cedem aos apelos do corpo. Sob o nascer do Sol, aos olhos do mundo e do acordar das pessoas acampadas. InSana. InSano.

Roupas. Muitas roupas. Pessoas. Algumas pessoas. Grama. Uma infinidade.

As nuvens passam. A manhã chega. E como tudo que é bom, acaba mais rápido do que se deseja. O sonho acaba. Em poucos instantes. Hora de voltar a realidade. Pela hora, para casa. Para a cidade: aquela que não permite atrevimentos e liberdade. As luzes apagam, o show termina.

Ninguém esquecerá dessa viagem, real ou não, foi o dia em que Gabriela liberou o seu instinto e toda a sua vontade de viver intensamente cada segundo. Desta vez, o universo conspirou a favor.

5 de jun. de 2011

Minha primeira vez: pesquisa, compra, uso e descarte

Apesar de ser uma pessoa bem resolvida sexualmente sempre tem algo que se deixa para trás. Não é por maldade, mas falta de oportunidade. E ela pintou. Apareceu como algo mágico na minha frente e não dava para deixar passar. Estava eu e ele, ali, passeando pelo shopping, aí, aconteceu. Para mim, era a primeira vez como consumidora – já havia feito um trabalho em locais do gênero –, mas para ele não. Nada com estar acompanhada de alguém mais experiente!

Foi uma visão estranha e excitante ao mesmo tempo, mas decidi experimentar. Assim começou a minha primeira incursão numa sex shop. Olhei um pouco de tudo, com ele atrás de mim, parecendo observar as minhas escolhas curiosas: lingerie, fantasias, vibradores, óleos, livros, dvds e tantos acessórios que nem sei como nomeá-los. Nunca achei que dar pudesse ser tão trabalhoso.

Depois de muito olhar, perguntar e mexer: um óleo para massagem, bolinhas aromáticas e um anel peniano. Este último que foi o objeto da minha curiosidade. Como era possível aquele troço encaixar sem machucar? Parece um enforcador...

“Não dói? Não aperta?”, perguntei. “Dói um pouco, mas você vai gostar”, foi o que ouvi. Aquilo ficou na minha cabeça. Não via a hora de ver a coisa funcionar. Disse que aumenta, e não é só o prazer.

Os ‘estudos’ dizem que o anel peniano mantém por mais tempo a ereção e retarda do gozo masculino, além de também estimular o parceiro – no caso, eu. Este era bonitinho: colorido e tinha uma borboletinha que funcionaria como um vibrador. Então, vamos à obra, ou melhor, ao sexo.

Mão para cá, mão para lá. Boca aqui e ali. Vai um pouquinho, para e... o anel. Abre, puxa, alarga, enfia, solta. Agora aperta o botão e faz o negócio funcionar. E ZZZZZZ (como uma abelha). Na primeira encostada, parou de funcionar. Liga de novo. Para. Funciona. Para. Liga. Mais uma vez. Desiste.

Vamos somente com o anel, sem o vibrador.

Mas por conta do maldito botão, a cada ida e vinda, a borboleta funcionava e parava, funcionava e parava, funcionava e parava de forma incessante que já estava fazendo parte do som local. ZZZ [...] ZZZ [...] ZZZ [...] e por aí vai.

Agora, amigos, coloquem a imaginação para funcionar e pensem por alguns segundos como foi a situação. Releiam mentalmente várias vezes – ou fazendo o barulho: ZZZ [...] ZZZ [...] ZZZ [...] ZZZ [...] ZZZ [...] ZZZ [...]ZZZ [...] ZZZ [...] ZZZ [...]ZZZ [...] ZZZ [...] ZZZ [...]ZZZ [...] ZZZ [...] ZZZ [...]...

E o que aumentou mesmo foi minha capacidade de concentração para não cair na gargalhada com aquele zumbido a cada momento que a coisa ia lá dentro. Foi uma primeira vez inesquecível, como toda primeira vez deve ser.

Ah! Em tempo, só para registrar: o óleo é uma delícia e não causou qualquer efeito colateral. As bolinhas ainda não usei, esperando pintar a oportunidade. E uma próxima visita, será hiper bem vinda, até porquê só podemos saber o que é bom se experimentarmos antes, não? Alguém tem alguma sugestão?

Sex shop visitada: http://lasciviario.com.br

21 de mai. de 2011

Receitas para ressaca I

Para aquecer esta noite quase de inverno, nada como deliciar-se com uma dose de algo bem doce e enlouquecedor. Que tal uma capirinha de kiwi com saquê?



Ingredientes:
• 2 kiwis sem casca
• 60 ml de saquê (ou o quanto você achar melhor)
• Açúcar a gosto (cerca de 4 colheres)
• Cubos de gelo a gosto

Modo de Preparo:
• Coloque o kiwi e o açúcar em um copo e amasse com o socador
• Acrescente o saquê, mexa bem
• Acrescente cubos de gelo e mexa

Caso, você não tenha saquê, coloque qualquer outro tipo de destilado. E se a falta for o kiwi, coloque qualquer outra fruta, até mesmo suco em caixinha ou pozinho - pode socar também se quiser, mesmo que seja uma ação inútil.

E, okay, isso nada tem relação com caipirinha, talvez o modo de fazer. Mas se você conseguir beber muitas, a sensação vai ser a mesma ao final da décima dose. E o dia seguinte também! Venha para os meus braços doce e suculenta ressaca!