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10 de jan de 2015

Vou de Táxi


Para os mais conservadores, a reprodução nos dias de hoje de algumas programações exibidas na televisão brasileira na década de 90 seria o auge da perversão e afronta à moral e bons costumes da família cristã. Um dia desses, me deleitando com bizarrices disponíveis no YouTube, por exemplo, fiquei estarrecida com vídeos que eram comuns na época (inclusive para mim), mas que hoje causariam um verdadeiro auê, principalmente se exibidas assim, bem à luz do dia, para vovozis e criancinhas assistirem.

Quem não lembra da Sara, uma morena gostosona que ao som da música “Strip Tease”, da Companhia do Pagode, ficava praticamente pelada, só com duas estrelinhas no bico do peito, para a alegria da rapaziada. Isso em pleno horário nobre (ou em qualquer outro horário que fosse, não tinha tempo ruim). Considerando a ainda parca existência da internet na época, esse era o máximo que muitos rapazotes no auge de sua puberdade viam de uma mulher, já que a pornografia não estava assim, tão à mão.

Tinha também a banheira do Gugu, em que as mulheres ficavam com a rabeta para o alto e tinham suas peitolas saltitantes comumente exibidas, permitindo que em pleno um domingo à tarde todo mundo visse moçoilas de corpos protuberantes com tudão de fora. Isso quando não aparecia uma tal de gata molhada, que consistia em uma xôveim trajando blusa branca, sem nem um sinal de fumaça de sutiã, se deliciando embaixo de um chuveiro, assim, no meio do programa. Mas esse Gugu era mesmo um brincalhão e todo mundo achava tudo aquilo muito legal.


Saudosismos à parte, ainda tem mais, meus caros e minhas caras. Muito mais. Os exemplos que citei acima são apenas os mais óbvios. E como não curto obviedades, não estou escrevendo nesse momento para falar de rabetas e peitolas de fora. Esse post é para falar da danadona da Angélica, a mais virada na pomba de todas, que com aquela carinha de santa-virgem discursava as maiores perversões e todos ovacionavam, encantados com a linha menina-angelical.

Pois deixem-me explicar melhor. Estava por esses dias em um videokê e, no auge do teor alcóolico geral, uma alma etilicamente emocionada teve a feliz ideia de cantar “Vou de Táxi”. Não sei se foi efeito da Cátia, mas pela primeira vez em toda minha vida prestei atenção na total depravação do que seria apenas uma inocente música, outrora reproduzida por pobres crianças, velhinhas bondosas e gentchi de beim, que não se davam conta da ode à putaria que é essa singela canção. Pois bem, para quem duvida do que eu falo, vamos analisar a letra de “Vou de Táxi” cuidadosamente.   

Pela janela do meu quarto
Ouço a buzina
Me chamando
Quem será que vem me acordar?
(A danada tem tanto macho que nem sabe quem é o da vez)

Mas no banho
Foi só me tocar
(Siririquenta assumida e explanada, fazendo do ato da dedilhada algo romântico e não uma ato puramente mecânico-sem-vergonha, permitido às mulheres o direito à livre expressão da bronhada feminina)

De repente
Lembrei do teu olhar

No espelho
A cor do batom
Lembro o beijo
Que foi pra lá de bom...
(Se tem batom no espelho dela, obviamente não é o da boca dela, foi alguém que deixou lá. E se esse batom a faz lembrar de um beijo, provavelmente é porque o outro personagem desse enlace é... uma mulher!!! Ou seja, além do tributo à siririquice, Angélica lançou a pauta das moças que curtem mesmo é colocar a aranha para brigar, sendo uma das precursoras da defesa à causa LGBTS na televisão aberta)

Vou de táxi, cê sabe
Tava morrendo de saudade
Mas nem lembro do teu nome
(A danada fez barba, cabelo, bigode e não lembra nem qual é o nome do/da moço/moça)

Não tem pressa
Teu jeito de olhar pra mim
Me arrepia
Me leva, me faz viajar
Pelo céu..
Pelo sol...
Pelo ar...
(Percebam bem, caros leitores, que aqui ela acaba de descrever um orgasmo, em uma música amplamente difundida nas casas da família brasileira)

A escola pode esperar
(Mas como? Escola? Isso aponta para uma personagem ninfeta-mirim. Veja bem que essa frase apresenta duas informações impactantes. A primeira: as novinha qué dá. A segunda: Matar aula para putaria tá liberado. Aconselho as pessoas de beim a não deixarem suas filhas adolescentes criadas para serem uma mulher-para-casar ouvirem isso)

E para quem quiser conferir o clipe logo abaixo, nem vou falar sobre o tal do “Angelical touch”, que aparece logo no início do vídeo. Como diria a colega Cleycianne, chocada em Cristo.


Um comentário:

  1. Essa tua estória dos primórdios da sacanagem brasileira em canal aberto(sem duplo sentido) me lembrou daquelas análises musicais do impagável blog "Banheiro Feminino". Lá tinha algumas que me faziam rolar de rir como uma da música "Sonho de Ícaro", do Biafra. Muito bom, vou compartilhar pelo ciberespaço. Beijão. Ricardo Mainieir

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Áhh, que fofo você comentar!!!