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29 de abr de 2012

grito?


tão cheia cheia cheia cheia cheia cheia cheia cheia de silêncios...
começam a GRITAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR

t

    r  

       a  

           n

               s

                   b

                       o

                           r

                               d

                                    a

                                        m
pelos poros
Melancolia.
Tédio.
Não há barulho que faça essa sensação constante passar.

Era um deus pessimista


Mão de deus diz: Ei, filhote de saci, desce já daí, quantas vezes teu horizonte já não foi descrito: “fica no baixo, tu não é dirigível, nem avião de papel, fica no baixo”.

Gato diz: Não, não quero o baixo, me deixe no alto. Não quero chão, me deixe voar e sentir o vento bater em minha xota felina quando minhas pernas abrem em meus voos solitários.

Mão de deus diz: Quando foges e sobes no alto, machuca teu coração bobo, que pensa que pode voar. Poupa o trabalho do sonho que as durezas da vida entopem teu canal da simbiose. Fique na boa, viver tentando é dose.

Gato: Meu coração já está esfolado. Prefiro espalhar migalhas do alto do que sufocar preso à dureza desse chão. Daqui não apenas sonho, como vejo de cima outros sonhos, enquanto aperto meu baseado.

Mão de deus diz: Silêncio, felino, quem questiona não herda o reinado.

Gato: Mas come o rato que mora no alto.

Poema em parceria com Caipirinha da Silva

PiStOLeiRa do AMoreMundO





Entrevista realizada numa sala riscada de sangue em qualquer bairro de Bagdá, sob a espreita de seus 7,5 milhões de habitantes fervorosos.


É você mesma?
Sim, sou eu a pistoleira do "amoremundo",

bugiganga de um vagabundo

oriundo de um buraco negro

negro, negrume, pentelho.



Nascimento: Vômito de vagina maternal.

Endereço: Escadas da possibilidade mental.

Primeira passagem pela polícia: Estuprei homens que foram rudes comigo e com minhas amigas.

Livro preferido: Um bocado de baixaria com Michel Foucault.

Cor: O ferrugem das minhas engrenagens emotivas

Medo: Vaca, bois e afins.

Sonho: Transar com um vagalume gigantesco e me prover de luz

Citação: "Sou menos. Quando não sou líquida". H.H


Deixe um recado para quem por acaso ler este perfill:

Tudo começou com um pedaço de caroço que eu engoli, estava comendo uma fruta frugal, não me recordo exatamente qual, foi quando eu me dei conta de que não tinha fundos em minha conta. Percebi que estava tão pobre quanto uma cesta básica, quem vive com o básico? Resolvi que ganharia o mundo através de meus proibidos desejos. Me tornei quem sou e não me arremesso por nada. Permaneço impávida até que a luz me mostre um reflexo menos óbvio de mim.

20 de abr de 2012

Embriagados


Começo este post com uma das grandes filosofias nascidas no boteco: "Sou aquele vinho caro que você não sabe degustar porque só está acostumado com pinga barata". Li isso e fiquei pensando se era o vinho caro ou a pinga barata. Na verdade eu gostaria de ter o gosto que melhor agrade e embriague de vez, sem dó, sem remorso. Talvez uma mistura dos dois, um vinho barato.

Quase toda bebedeira tem um fundo de paixão e uma possível causa: o amor. Aqui não é diferente, e a vã filosofia em destaque também não. Mas tem os 'poréns'.

Se fosse um vinho caro, você degustaria uma vez, não teria ressaca, se lembraria de mim, mas nem saberia dizer meu nome, só quanto custou para beber. Do outro lado, uma pinga barata você só consegue beber misturando com outras bebidas. Eu odeio ser dividida, quero por inteiro. Assim, na dúvida sobre o que é melhor para mim ou para você, fique com o meio termo.

Quero ser o vinho barato para embriagar os sentidos, causar calor e calafrios ao amanhecer. Quero que sua visão fique turva e que na sua frente só a minha silhueta apareça e você lembre de mim, seja lá com quem esteja.

Ao deliciar-se comigo, você terá certeza de uma noite mal dormida, mas aproveitada como nunca e uma ressaca certa. Noite barata, noite divertida, noite do jeito que você quer se seja. Entre taças e mais taças, os goles serão cada vez mais enérgicos e, ao amanhecer, serei dona da sua mente e do seu corpo.

E quando a ressaca chegar e você jurar que nunca mais irá beber-me, saberá no fundo que me deseja como nunca, só não consegue naquele momento.

Então, da próxima vez, diga, sem medo: "desce um vinho barato, por favor!". Tim tim.



14 de abr de 2012

Esboço de um não-romance


(...)
Não me faça pedir desculpas eu por querer me afastar do mundo. Por não sentir mais falta de você. Quando sequer ando sentindo falta de mim mesma. Ando desesperada demais com essa dor que não tem nome, para me ocupar com essa dor que você sente por mim o tempo todo. Não tenho vontade nem de chorar, meus olhos já secaram. De falar, eu nunca sequer tive. Então sonhe com o dia em que eu voltar a me encontrar. Quem sabe eu poderia voltar para você. Mas enquanto eu estiver seca, não queira ouvir desculpas por eu preferir a solidão a tudo, principalmente à sua presença. Não há amor em mim que te baste. Não há nada aqui para você. Por enquanto, apenas sonhe. Sonhe com meus beijos, com meus abraços, com meus sorrisos. Com noites ao meu lado. Mas não espere que eu abandone minha reclusão. Não vou negligenciar o pouco que ainda resta de mim em mim. Muito menos por você. Então não vou pedir desculpas. E se você não quiser me perdoar, saiba que isso não vai dificultar minha decisão de ir. Apenas me deixe só. (...)

11 de abr de 2012

A atrevida do Sana


Pessoa recatada, Gabriela raramente chama atenção na rua. Ela sabe que tem uma reputação a zelar: seu trabalho não permite grandes exposições, seja por conta dos chefes, seja pela imagem da empresa séria a qual dedica os seus dias. No entanto, o furor que aparece em seus trabalhos nada mais é que um desvio das atividades que ela mais gosta de fazer, mas não tem tempo - ou lugar. Dessa forma que Gabriela apareceu numa região longínqua, quase terra de ninguém. Ou melhor: terra de pessoas livres. Liberdade. Isso que ela necessitava.

Árvores, cachoeiras, trilhas, cheiro de terra molhada, sol, chuva... tudo conspirava a favor dela. O mundo estava aos seus pés e ela sabia disso. Monta barraca, muda a roupa e parte rumo ao paraíso. Liberdade do corpo e da mente. Conversas froxas, risos largos, abraços sinceros, beijos... isso não, ainda está presa aos seus pensamentos cidadescos. Mal sabe ela que a sua hora está por vir. E cada vez mais perto.

***

Agora In Sana, insana. Dança como se não houvesse amanhã, diverte-se em suas próprias viagens, corre-se contra o tempo para fazer curar as dores do passado, busca-se mais sorrisos, mais gargalhadas. Ri das tragédias do mundo, chora pela felicidade dos amigos. Doce vida, doces sonhos, doces na alma.

Um rapaz de capuz se aproxima. Estranha a tal liberdade. Vê uma doida, mais louca que o normal na região. Bate os ombros, não se importa, afinal, quem era ela? Copos de cerveja e backs passam de mão em mão. Passam pelas mãos já dormentes de Gabriela que recusa cada um. Quer ver a Lua ir embora. Deseja que a noite termine e o Sol volte a brilhar e esquentar seu corpo. Não consegue.

***

Dia de cachoeiras, mais um dia de liberdade. Água gelada para lavar a alma de uma noite perdida. Ou melhor, aproveitada como se fosse a última. Mais uma viagem, só mais um dia. Entre amigos recém-feitos, diverte-se ao som de músicas que não distingue. Leva os amigos para a mesma viagem. Busca mais risos, um ombro amigo, uma conversa ao pé do ouvido e coincidências. Muitas.

Todos vão embora de repente. Vê-se sozinha, mas feliz. Extremamente feliz. Sonha com um mundo que não existe na realidade. A Lua volta a iluminar seus sonhos. Jamil, sem capuz, faz companhia. Não se sabe se em sonho ou real. Mas a conversa rola solta: falam sobre o céu, sobre trabalho, cantam juntos... luzes brilhantes, pessoas com cabeça de árvore, piadas sobre câmbrias e sexo...

Ele vai novamente. Ela fica. Ele volta. Mais conversas.
Ele, tímido. Percebe que a doida do dia anterior é outra pessoa.
Ela, tímida. Não vê a possibilidade de nada além de um bom bate papo.

***
Beijos. Beijos. Mãos. Mãos. Pescoços. Pescoços. Orelhas. Orelhas. Meta: ver o sol nascer novamente. Nenhum interesse a mais. Ao menos que se tenha falado claramente. Só os gestos demonstravam o objetivo real.

***

A cachoeira corre em frente, o som da água batendo nas pedras cria um ambiente favorável. Borboletas passam, passarinhos cantam. Jamil e Gabriela se entreolham. A natureza conspira. O desejo um pelo outro aumenta a cada segundo, a cada toque, e ali mesmo cedem aos apelos do corpo. Sob o nascer do Sol, aos olhos do mundo e do acordar das pessoas acampadas. InSana. InSano.

Roupas. Muitas roupas. Pessoas. Algumas pessoas. Grama. Uma infinidade.

As nuvens passam. A manhã chega. E como tudo que é bom, acaba mais rápido do que se deseja. O sonho acaba. Em poucos instantes. Hora de voltar a realidade. Pela hora, para casa. Para a cidade: aquela que não permite atrevimentos e liberdade. As luzes apagam, o show termina.

Ninguém esquecerá dessa viagem, real ou não, foi o dia em que Gabriela liberou o seu instinto e toda a sua vontade de viver intensamente cada segundo. Desta vez, o universo conspirou a favor.