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25 de ago de 2011

Sang

Foto: Orlando Calheiros


Ato I– Morta enquanto viva

Levantava e não escovava os dentes. De sua janela, via todos os dias a paisagem de concreto, cor de nada. Saia na rua de pijama listrado. Um dia acordou cansada da vida e raspou a cabeça.

Olhava para o céu escuro e abria a boca. Mas os grãos que caiam, todos secos e ásperos demais, não tinham cheiro, não tinham gosto. Implorava por um pouco de ar, mas respirava apenas poeira de cimento.

Ato II- Fecundação

Dissolveu todo o amor que guardava bem escondido em substância química forte, que quase a deixava sem ar, para ver se assim extraía do pincel alguma tinta. E pintou nos muros daquela cidade perdida o quanto queria se apaixonar todos os dias.

Mas pintou tanto, que as imagens ficaram todas iguais. Banalizou as cores mais fortes que poderia encontrar e as misturou em meio a paisagem homogênea. E seus traços perderam o tom. Já não havia mais diferença entre uma parede e outra. Continuava tudo escuro ou lavado demais.

Se não podia dar cor às construções, tatuou o corpo inteiro na esperança do verde, do amarelo, do azul. Só para ver se poderia existir algum tom em seu mundo, diferente do cinza. E se pintava toda, mas não existia cor. Ela se riscava, mas nada aparecia. Dela, brotavam apenas as lágrimas transparentes.

E foi riscando a pele, até rasgar a carne.
Foi quando nasceu.

Ato III- Nascimento

De seu corpo, brotou o vermelho naquele mundo. E a natureza se irradiou tanto com rubro, que quis extrair dela todo aquele tom. Espremeu sua alma, até o sangue brotar entre suas pernas. Até que de seu ventre escorreu o líquido. De seu útero, nasceu a vida. Com pernas abertas ela deu a luz.

Ato IV- solidão

Mas do que adiantaria tanta cor no mundo, se seus olhos insistiam em enxergar sozinhos? O sangue nunca pintaria sua alma sem cor. Talvez ela não devesse tentar dissolver em uma química tão pesada o amor.

21 de ago de 2011

Amante do tempo


Meus pensamentos voavam muito longe. Tão longe, que já perdi as contas de quantas vezes eu me perdi de mim. Meu desejo de ser devorada pelo tempo me cegava. Um desejo que nunca se concretizava, que ficava sempre naquele distante amanhã, que nunca iria chegar.

Em meio ao meu desespero, subi nesse altar e ofereci meu corpo como oferenda, na esperança de um consolo qualquer. Fiquei nua por inteiro, implorando uma resposta que me apontasse o caminho. Foi quando ele surgiu. Chronos. Imperioso, à minha frente, dizendo que não havia caminho algum. “O amanhã nunca chega para ninguém. Ao alcance de suas mãos, você tem apenas o hoje”.

E ordenou que eu me confessasse. E comeu da minha carne, bebeu da minha alma, me penetrou por inteiro para que eu pudesse enfim ver o que sempre esteve à minha frente, mas me era impossível enxergar. Durante nosso enlace, ele me fez revelar os segredos mais profundos. E enquanto eu chorava e amava, eu admitia, eu assumia as tantas vezes que sofri por querer demais viver. Que sofri por achar que eu deveria ser alguma coisa, sem saber exatamente o quê.

Então pediu que eu me entregasse totalmente a ele, que me abandonasse, para que pudesse entender. Eu me larguei. E foi quando deixei de me importar em viver, que comecei a viver de verdade. E foi só quando parei de me preocupar com o que devo ser, que descobri não saber nada sobre mim mesma; e finalmente me descobri um pouco. E entendi.

Bastou apenas me dar conta do presente.

Enquanto eu suava, tremia, ele murmurava obscenidades em meu ouvido, que me faziam ofegar além do que me seria suportável. Ele beijava minha boca e dizia que eu não precisava buscar algo que fosse a razão de minha vida, porque deixar que minha vida dependesse de uma única coisa seria restringir demais minhas inúmeras possibilidades de viver.

Eu não conseguia me concentrar em ouvir nada além de minha pulsação, mas entendia quando ele falava que eu não precisava me preocupar em ser alguma coisa, quando eu poderia ser tantas coisas ao mesmo tempo, cada uma delas representando pedaços únicos meus.

Precisei passar uma noite em claro para deixar o presente me envolver. Precisei implorar a Chronos que fosse responsável pelo meu gozo no agora, para descobrir que eu nunca iria me encontrar no amanhã.

E quando tudo acabou, ele me deixou aqui, nesse altar em que o adorei, apreciando os momentos mais simples, que só agora percebi o quanto podem me fazer feliz. O que não via antes, porque estava preocupada demais em viver um tempo que não é meu. Mas antes de me abandonar à solidão, deixou um bilhete para que eu sempre guardasse em minha memória nossa noite de amor.

Pediu que eu lesse apenas depois que ele partisse. Eu esperei. E quando ele se foi, busquei o pedaço de papel que agora repousa sobre mim. “Tudo tem seu tempo. Não viva na agonia de esperar esse tempo chegar, quando o hoje pode te consumir muito mais do que o amanhã”. Ele escreveu. Ele sabia. Ele me consumiu por inteira. Ainda consome.


Não quero ser covarde a ponto de não viver o agora, na esperança de um amanhã que nunca chega. E não quero ser covarde a ponto de negar que preciso muito desse amanhã. Mas preciso aprender a viver o hoje primeiro.

18 de ago de 2011

Um pouco de vagina em flor


Parte I – Hedonismo regado com esperma de caule

Vendi o corpo por água,
Apesar de a chuva cair todos os dias.
E minha vagina em flor teve pétalas arrancadas
Antes mesmo que pensassem em murchar

secando...
descolorindo...
morrendo...

Eu não queria sua beleza desperdiçada.
Abri bem as pernas.

E antes que as folhas caíssem,
Antes que os galhos secassem,
A vida foi ejaculada em mim.
Tantas e tantas vezes.

Tive muitos orgasmos, quase todos fingidos.


Parte II – Vampirismo vindo dos recônditos mais longínquos

Vieram de muito longe
Só para beberem em meu cálice.
Eu dei o líquido.
Engoliram sedentos
Até a fonte secar.

Meu esperma perdeu o aroma adocicado, misturado a tantos outros gostos.


Parte III – Autoflagelo

Desse caule cheio de espinhos
Tentei arrancar todos.
Com as próprias mãos.

Vi sangrarem feridas de minha carne.
Chorei gritos de ódio e de dor.

Continuei berrando,
Enquanto minhas mãos pingavam
(pingavam
pingavam
pingavam...)
Lágrimas que não deveriam ser minhas.


Parte IV – Final?

Sou uma santa que se prostitui todos os dias, pelo simples prazer de se humilhar. Sou uma louca lúcida, que vê o pouco da sanidade dissolver sob os olhos. Sou uma promíscua que se confessa sempre, apesar de não querer redenção. Sou uma virgem enfastiada, que se deixa ser estuprada pela vida.

15 de ago de 2011

Bacantes pós-modernas


Nós, bacantes, somos musas eternas; nossa existência não se limita a presença de nossa carne, quando nossos feitos continuam sendo lembrados, por muitos e muitos anos... mesmo que como referência do que “não deve ser feito”. Vivemos em função do culto ao falo que nunca nos satisfaz, porque nunca estamos satisfeitas; assim, em meio a floresta, amamos, adoramos Baco, deus do vinho, dos excessos, do sexo.

Nosso desejo de sentir todos os prazeres mundanos em sua plenitude não tem limites. Não há obstáculo que nos impeça de descarregar nossa fúria pela vida... e somos obrigadas a procurar refúgio entre as montanhas mais isoladas, para podermos nos embriagar em nossa loucura, sem a presença dos olhares de reprovação.

Queremos dançar nuas. Queremos arte, poesia. Queremos fazer amor na hora e no lugar em que sentirmos vontade. Queremos contemplar a beleza da simplicidade da vida, espremendo cada segundo de nossa existência. Queremos berrar de alegria ou cair em prantos desesperados. Queremos agir sem pudores. Queremos beber e nos drogar até cair. Queremos abraçar a terra, tomar leite na teta dos animais, queremos sentir o gozo da vida muito além da vagina escondida entre nossas pernas.

Mas se nós, bacantes, não pudéssemos buscar refúgio secreto nas montanhas, o que faríamos? Viveríamos reprimidas em sociedade? Como esses atores sociais que precisam constantemente interpretar um papel, fugindo de seus instintos, sempre reprimidos e negados? Atores que sequer assumem interpretar uma imensidade de papéis diferentes...

A sociedade é uma farsa de mau gosto, que te julga por ser e fazer exatamente o que todos gostariam, mas não têm coragem; preferem se render à censura. Nós, bacantes, preferimos cultuar o grande órgão sexual de nosso deus Baco, enquanto cantamos nuas na chuva, enquanto nos masturbamos, enquanto fazemos amor umas com as outras.

Mas se nós, bacantes, não temos refúgio... exerceríamos com ardor nossa embriaguez causada pela necessidade de amar, ou nos renderíamos ao meio social, com medo de sermos execradas, vistas como loucas? Não somos loucas. Loucos são os que nos recriminam, enquanto tentam desesperadamente driblar sua loucura interior. Eis aí o paradoxo, a maior loucura dessa imensa mentira que é a existência humana, moralista e hipócrita.

Por horror a toda essa comédia dissimulada, nós, bacantes, nos renderíamos. E viveríamos deprimidas, odiando os muros construídos com os tijolos da cultura repressora, que não permitiria que nos entregássemos à vida exatamente como gostaríamos, como precisamos. Sempre sentiríamos a sensação de que falta alguma coisa... nunca descobriríamos o que essa coisa de fato é.

E ainda assim, apesar desse grande esforço que custaria a perda de nossa sanidade (porque reprimir nosso amor pela vida, isso sim é loucura), seríamos julgadas, seríamos vistas como lascivas, promíscuas, quando nossa única razão na vida é a busca incessante pelo amor. O amor segundo sua compreensão.

O amor é uma troca, uma de suas manifestações é o sexo. Sexo despudorado, mas sexo com amor; mesmo que esse amor dure somente o momento da penetração. Nós, bacantes, queremos, precisamos ser amadas, desejadas, cultuadas, da mesma maneira que cultuamos nosso deus. Nós, bacantes, não queremos ser hostilizadas, vulgarizadas, mas se necessário mandamos seus valores e princípios morais para a puta que o pariu.

Se a sociedade é uma farsa, nós, bacantes, queremos viver nossa própria mentira, não a mentira dos outros. Com as pernas arregaçadas para que nelas penetre ar, esperma, vida. Nós, bacantes, queremos sentir o gozo da existência. Queremos ser possuídas, queremos possuir, nessa mistura de sensações que inebriam nosso permanente transe.

Não um transe que anestesie, como ocorre com tantos infelizes que se fingem satisfeitos com a medíocre existência. Mas um transe que nos liberte, que nos permita questionar a vida, mas nunca questionar nossa necessidade de satisfazer nossos desejos; que apenas são insanos por não fazerem parte dessa loucura, que é viver sob a repreensão dos próprios sentidos.

1 de ago de 2011

THE ACTIVIA TOUCH

Em primeiro lugar, quero dizer que se esse é um texto machista, fica todo o crédito para José Cuervo, autor do post e protagonista da vez. Novamente, ele presta colaboração nesse blog. Quando eu critiquei a maneira como ele escreveu, a resposta que recebi foi: “Bom, só retratei exatamente como foi. Se foi machista, sorry. Esse sou eu!”. Pois é. Ainda assim, esse sujo come uma penca de moçoilas, quase que diariamente. Vai entender... Bem, preciso admitir que a história é hilária, se me permitem dizer. Vale a pena ler até o fim, apesar das observações de péssimo gosto que esse idiota faz – que, hipocrisia à parte, são sinceras e compartilhadas por um bom número de espertinhos como ele. Ah, as partes rosas são apenas algumas pequenas observações minhas, como leitora fêmea que sou.

Chega a noite de sábado. Música alta em casa para aquecer as turbinas. Figurino impecável, perfume importado, olhos de tigre, mais uma noitada se inicia. Noite perfeita para mais uma aventura sexual (Fanfarrão). Mal sabia o que a vida reservaria para mim dessa vez. Na balada, corpos em movimento, troca de olhares, vodka na mesa, copo na mão e pimba! Aconteceu aquele beijo encaixadinho na gostosa do camarote. Pegação fervente, ignorando a antiga “peguete” que se encontrava no recinto, claramente a fim de um “flashback”, daqueles que a faziam corar as bochechas e suspirar ao amanhecer na minha cama. (Idiota)

Mas ela não estava nos planos dessa vez. Era a vez da gostosa inédita (só há uma coisa mais apreciada por um homem do que uma buceta: uma buceta diferente! – frase de minha autoria) (Babaca! mas, preciso admitir. Novidades sempre são bem-vindas). Depois de tantos pegas na balada, repleto de expectativas na hora da saída, me deparei com o inesperado. A gostosa estava com duas amigas que dormiriam em sua residência e não poderia ceder ao “sequestro” proposto. (Ah-ha, muito bem feito) Droga, e agora? Noite tão boa e finalizá-la sem uma bela cópula? Ainda mais depois de estar na “vibe” da vodka? Claro que não! Ainda há uma esperança...

Liguei para o amigo que foi dar carona para a “peguete” e pedi para que a deixasse em minha porta, pois já estava a caminho de casa para “executá-la”. Ela chegou meia hora antes de mim, afinal, ainda queria dar uns últimos amassos na gostosa inédita. (Cara, a mulher tem que estar mesmo com muita vontade de dar, para deixar de lado o mínimo de amor-próprio em função de uma fudelância total no fim da noite. Ok, não vamos julgar essa pobre coitada, que queria apenas momentos ímpares de puro prazer com um pinto qualquer). Chegando em casa, fomos logo pro que interessava. Sexo! Sem conversa, sem carinhos, só sexo. Quando ela subiu em mim, pude perceber o quanto ela precisava daquele flashback. Como rebolava! Como queria! Como comi!

Não resistindo àquele rebolado, comecei com umas palmadas e logo fui alisando o cuzinho dela e, aos poucos, colocando meu dedo. Nossa, como ela estava molhada! (Cu molhado? Suspeito isso, hein?). Comentei isso com ela, com aquela voz de safado, e ela nem respondeu. Só continuou sentando e eu com o dedo trabalhando em conjunto com o pau. A surpresa foi quando tirei o dedo. Descobri que tenho talento para Yoga, para medicina alternativa, para terapias orientais, sei lá... sei que ela disse: “Ih, acho que te sujei!”

“Porra, era o que me faltava, menstruou em cima de mim”, pensei inocentemente. Pois foi bem pior. A maldita teve o esfíncter, de alguma forma, desregulado pelos meus toques. Vazou merda! Na minha perna! Inferno! (HAUHAUHAUAHUAH AUHAUHAUAHAUHAUHAUA HAUHAH!!! Levou uma cagalhadaaaaa!!!!!!). Ela levantou-se e foi ao banheiro lavar a “cagada”, enquanto fui fazer o mesmo no outro banheiro. Voltando para o quarto, lá estava ela. Deitada, ruborizada, desconcertada, querendo morrer (Coitada... juro que fiquei com pena da moça). E eu, ainda de pau duro (santa vodka!), pensei bem e fui finalizar o serviço. Vinguei-me com aquela gozada digna do espetáculo do chafariz do Belaggio, em Las Vegas. (Mas é mesmo muita vontade... porém, o trabalho sujo - literalmente sujo, nesse caso - precisa ser finalizado) Nem quis pensar muito no assunto. Estava cheio de créditos para virar e dormir. Foi o que eu fiz. Nem “boa noite” dei, porém atingi meu objetivo de transar naquela noite (Indelicado).

Maquiavel disse com propriedade que “os fins justificam os meios”. E para isso, cagadas acontecem algumas vezes (Valeu então, fudecão linha cult). Com isso descobri uma interessante manobra, que batizei de “The Activia Touch” (!!!). Portanto, quem tem problemas de prisão de ventre, pode contratar meus serviços. Só não o farei em cima da minha cama novamente.

Um abraço e até breve.
José Cuervo.