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30 de set de 2010

Despedida

Eu nunca disse que era santa. Muito menos prometi fidelidade. Admito que minhas idas à missa eram desculpas para trepar com um desconhecido qualquer. E se eu vivia me confessando, era porque sentia um tesão incontrolável por aquele padre, que nunca cedeu às minhas constantes investidas, infelizmente. Compensei dando para aquele coroinha novinho, que se revelou como um futuro promissor na arte da foda bem dada.

Sempre que você saia de casa, eu me masturbava muito assistindo filmes pornôs, que eu guardava do meu lado do guardaroupa. Nada era escondido. Se você abrisse, encontraria tudo lá. Os vídeos de sacanagem e os acessórios eróticos que eu usava com qualquer um, menos com você. Então, não me venha dizer que te enganei durante todo esse tempo.

Mas assumo que se morria de ciúmes de você com a vizinha, era porque eu adorava fuder com aquela delícia da vizinha, dia noite, noite e dia. Que putinha gostosa, bastava eu encostar a boca no ouvido dela, que ficava toda molhada. Sempre que eu podia, chamava um macho para participar da nossa sacanagenzinha. Se nunca toquei no assunto com você, é porque eu sabia que você não é dado para esse tipo de coisa. E não venha me culpar pela sua falta de aptidão para o sexo.

Desculpe se algum dia você se sentiu enganado por mim. Mas juro, juro mesmo, que nunca fiz questão de esconder nada de você. Mas, se agora, nesse seu ataque de fúria, você cismou de dizer que não presto, que sou uma vagabunda mentirosa, que vivia te passando a perna... bem, já que é assim, estou indo embora.

Minhas malas estão prontas, tá vendo? Já estou saindo de casa. Vou continuar transando como sempre, só que agora, bem longe de você. E não reclame caso você não encontre uma mulher como eu, que não se importe de te colocar de quatro e enfiar o dedo no seu cu. Tchau.

26 de set de 2010

Pequena crônica de merda

Era de uns 30 e poucos anos. Careca. Gordo. CAGALHÃO. Como quem come um mundo de podridão, todos os dias, J. assinava as tardes entediantes, com o fedor insuportável de merda socada do cu.
Bosta robusta, daquelas que só diabo solta do inferno quando despeja no mundo desgraças e detritos funestos.
Antes mesmo de bater na água a merda já fétida, ecoava pelos quatro cantos do reto.
E as mentes das máquinas se confundiam ao primeiro filete de sentido agudo do cheiro.
Quando tocava no ar, era agoniante para olfato e paladar das bocas que se calavam em peso. O cheiro de tão forte se transformava em gosto, e o desgosto da vida era carimbado na língua pesada e castigada.
Não importava o clima, se quente, frio ou morno, ou gelado, a bosta vinha e com intensa anomalia fervente, rasgando a tranqüilidade nasal das máquinas do salão amarronzado.
E depois passava ele, pesado e leve,  sério, mal humorado e gordo.  Cagalhão por natureza e destreza. Destruindo a bondade do ar, transformando tédio em desespero nas tardes de todo santo dia.

24 de set de 2010

VERGONHA 2

Segundo capítulo da nova novela da 8hs.

VERGONHA 1

Primeiro capítulo da nova novela das 8h.

21 de set de 2010

Coisas que aprendi no Fantástico

Sou um ser neandertal, certas normalidades da sociedade de consumo contemporânea não me entram na caixola. Por maior que seja meu esforço, minha humilde cabecinha se mantém reticente às novidades que considero levemente descabidas. Citarei como exemplo duas graciosas matérias que assisti no programa global Fantástico, nesse último domingo, que tem por editor chefe aquele distinto senhor, o Dario Menezes - pelo menos é o que diz o Google, confesso não ser detentora dessa informação.

A bombação do momento
Pois muito bem, novidades para vocês, animosas púberes que por aqui me lêem. Em um futuro não muito longínquo, todos os seus problemas estarão resolvidos. Isso mesmo. O seu guarda-roupa vai ter um programa que vai te dizer se sua roupitia combina ou não. E caso a pomposa vestimenta não esteja de acordo com os questionáveis padrões da moda atual, pimba. A maquininha vai te chamar de brega, assim, na sua lata, sem dó nem piedade.

A tecnologia vai te ensinar a ficar igualzinha a todo mundo, te transformar em mais uma coisinha sem personalidade própria ou distinção em meio a multidão. Você não vai mais precisar se preocupar com alguém te chamando de cafona ou ficar receosa se sua roupa está muito diferente da sensação do momento. Olha só que coisa mais legal.

A matéria seguinte foi ainda melhor. Uma adorável moçoila, que pela idade deve ter acabado de descobrir a sublime sensação da vagina esguichando litros e mais litros de sangue durante alguns dias no mês, aparece entrevistando jovenzinhas de sua mesma faixa etária. E qual foi a frase mais repetida durante toda aquela adorável matéria de cunho jornalístico? “Eu tenho que estar sempre linda e perfeita!”.

Em vez de propor uma discussão sobre o fato de meninas cada vez mais jovens emplastarem a cara de maquiagem, parecendo umas Barbies ambulantes cheirando a xixi, o programa ensinou como cuidar da pele e usar maquiagem específica (provavelmente bem cara), coisas imprescindíveis às necessidades juvenis.

Muito sem vergonha que sou, confesso ter uma necessidade patológica de estar constantemente bonita – bem, pelo menos eu tento, gastando boa parte do meu salário com futilidades como clínicas de estética, salão de beleza e por aí vai. É isso mesmo, apesar de conhecer toda aquela história sobre o padrão de beleza inatingível exposto pelos grandes meios, sim, sou escrava da aparência. Mas sou uma burra velha de 25 anos, não uma ninfetinha de 13, que só sai de casa com dois quilos de pó compacto no rosto. Não que isso justifique, mas foda-se, falo mal assim mesmo.

No fundo – ou bem no exterior mesmo -, talvez eu seja realmente arcaica, esteja totalmente por fora do cool do momento e não perceba que a cada dia as coisas mudam mais, em um ritmo mais frenético. Então, só pra saber se eu não fiquei louca de verdade... alguém concorda comigo, ou todo mundo acha isso tudo muito normal?

17 de set de 2010

Guerra















que toque o clitóris dessa moça
no luar do alvorecer no dia frio
como soldados virão os dedos
desbravando a lassidão do vinco

devasse a santa, a puta imaculada
no âmbito dos seios do bico até a ponta,
como artilheiro vem a língua dura, úmida
atassalhando e saboreando os cantos

em contra-golpe parte dela “clitoreando”,
soluçando o mais puro desejo abafado,
chicoteando a boca na pele do soldado 

usando o dom de ser pecadora
destrói as armas, acaba com a marcha.
na opulência disfarçada, edifica a peleja,
e finaliza com o brado da amarga vitória
aniquilando o inimigo numa só gozada


 



16 de set de 2010

Tráfego


Dia desses na rua, ouvi duas mulheres conversando em tom de fofoca: “Ela atravessou sem olhar, o carro derrubou e o ônibus passou em cima da cabeça”.

Associei o discurso, falavam de uma mulher que morreu recentemente na Rua do Riachuelo.

No fatídico dia, fiquei pensando: “Quem será? Parece uma criança ou uma mulher pequena”. Cruzei a cena, meio sombria, silenciosa, pensei mais uma vez: “Quem será? Que Deus a guarde”

Ela estava estirada no chão, coberta por um lençol amarelado e sujo, a poucos metros da faixa de pedestres.

Lembro que o morador de rua, que tentava conduzir os de carros buzinando ao léu, foi advertido pelo policial mal encarado com sua metralhadora em mãos, desnecessariamente.

Percebi que não tinha nenhum parente ou amigo junto ao corpo. Estranho ver um defunto, sozinho, como um pacote flácido, sem ninguém para se desesperar ou velar.

Eram umas 11 horas da noite.

Ela não deve ter agonizado, não morreu na contramão, mas atrapalhou o tráfego.

15 de set de 2010

Sou dessas...

Sou dessas que lêem Dostoievski, Nietzsche e Machado de Assis durante o dia e sai para dançar funk à noite. Sou dessas que nunca se apaixonam, mas quando se apaixona, surta tanto que fica irreconhecível. Sou dessas que estudam francês e fala um monte de palavrão o tempo todo. Sou dessas que chegam a ser doentes de tanto orgulho, mas basta beber um pouquinho para chorar na frente de todo mundo, como se fosse uma criança imbecil. Sou dessas que declaram liberdade sexual, mas não fode com ninguém (infelizmente). Sou dessas que juram não estar nem aí, mas está aí pra caralho. Sou dessas que são muito tranquilas, mas que quando sente raiva, se descontrola pavorosamente. Sou dessas que riem o tempo todo, mas muitas vezes está chorando demais por dentro. Sou dessas bipolares, que jura ser extremamente centrada. Sou dessas que são responsáveis, mas sempre se atrasa. Sou dessas muito vaidosas, mas que cansa de sair sem sequer pentear o cabelo. Sou dessas que falam muito “sim” querendo dizer “não”, que falam muito “não” querendo dizer “sim”, por puro e simples capricho idiota. Sou dessas que são tão grandes, que às vezes fica pequenininha. Sou dessas que só querem um emprego muito foda, umas fodas bem dadas, um copo de cerveja, uma praia de vez em quando, música de todos os tipos e um bom livro. Porque, muito franca, eu sou dessas.

14 de set de 2010

Critérios

Em um desses meus momentos de reflexão sobre os mistérios da vida, comecei a pensar sobre quais são os critérios para as tão aclamadas premiações. Pois vejam bem, meus caros, o que leva uma pessoa a receber um Oscar, um Nobel, ou sei lá mais quantos prêmios? Bem, antes de fazer qualquer uma de minhas divagações sobre quem merece o quê, deixe-me explicar o porquê da indagação.

Não, não estou em um daqueles momentos de crise existencial, ressaca moral, ou a propriamente dita TPM, comum a todas nós, fêmeas sofridas. É que eu acabei de ler A mulher que escreveu a Bíblia. Vamos lá, o livro não foi nada mais do que escrito pelo imortal Moacyr Scliar, ganhou o troféu Jabuti e ainda foi adaptado para o teatro – a peça concorreu ao prêmio Shell. Currículo esse que, no mínimo, me fez pensar estar diante de um primor literário, certo? Errado. O livro é uma boa de uma merda.

Em primeiro lugar, o estilo literário é, por assim dizer, de maneira bem vulgar, muito escroto. Ora é utilizada uma linguagem nos padrões bíblicos, ora são empregados termos chulos e absurdamente contemporâneos. Nada contra um ou outro. Mas se o intuito era fazer um experimento ao mesclar duas linguagens opostas, o resultado foi um texto completamente tosco.

Nem vou citar o uso abusivo dos dois pontos (:) ou da palavra “agora”. Puta que o pariu, que coisa mais irritante. Não vou questionar referências completamente desconhecidas para um narrador da época, como breafing, big-bang, entre outros. Também não vou falar de diálogos absurdos, como o de um pai com sua jovem infanta, que se resume a algo mais ou menos do tipo: “O seu marido já te comeu?”. Não creio que há 3000 anos um patriarca falaria tal gracinha. Aí, vocês vão me dizer, “ah, mas e a liberdade poética, a criatividade literária e blá-blá-blá???”. Definitivamente, não se enquadram no contexto do texto.

O único ponto alto do livro, ou melhor dizendo, o único ponto que prestava e intitulou o livro, foi porcamente trabalhado: uma interpretação diferente da Bíblia que, vamos convir, me desculpem os religiosos, é uma bela de uma história da carochinha. Enfim... A parte crítica, que humildemente é a que considero a mais importante, praticamente não foi abordada, brochando completamente meu ânimo.

O fodão
Se alguém quiser ler um romance que de fato apresente uma nova interpretação da Bíblia, procure Saramago. Esse é o pica das galáxias. Quem dera ainda fosse vivo... Faria eu uma campanha na ciberesfera, para que ele me permitisse lascar um beijão naquela boca sábia e murcha. Ele mereceu MESMO aquele Nobel da literatura – mas mais uma vez digo que, prêmio por prêmio, para mim de nada vale, porque gosto é igual a cu, e esses critérios são subjetivos demais para o meu amargurado ser.

Voltando a Saramago... Em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ele dá um verdadeiro show ao questionar os mandos e desmandos do tão poderoso Deus cristão, com um sacarmos tão refinado quanto poético. Aquilo é uma obra prima. Em Caim, ele esculhamba a porra toda e arranca gargalhadas com a sua versão do Antigo Testamento. Sensacional, o cara é o rei.

Mas há quem diga coisas do tipo “Como??? José Saramago é um chato, prefiro mil vezes Sidney Sheldon. Eu tenho todos os livros dele! Ah, para!!! Vai dizer que os livros dele são uma porcaria??? Pois fique você sabendo que o Sidney já ganhou até o Oscar!!!”.

Sidney Sheldon, puta que o pariu... Por isso que eu digo que essa história de “fulano de tal já foi premiado” é a maior pegadinha. Porque, repetindo, gosto é igual a cu. Vamos apenas respeitar – juro que tento – os diferentes fãs dos Saramagos e Sidneys e Moacires da vida. E boa leitura.

10 de set de 2010

Freedom in Saturno


Reza a lenda que as mulheres de Saturno podem deixar suas bocetas em casa quando não querem ter aporrinhações corriqueiras como: menstruação, depilação, foda no way, etc e tal. Ao contrário dos homens que idolatram seus pênis, nós mulheres pelo menos uma vez por mês, odiamos ter vagina.
Só que lá em Saturno, as bocetas são móveis, o que possibilita a mulherada inovar descaralhadamente. Elas podem encaixar e desencaixar num fundamento brinquedos Lego, e abandonar a boceta em casa sangrando e ir trabalhar sem OB ou absorvente, para elas não é um sonho, é real. Deixar a menina peludona na depiladora e só voltar 1 hora depois pra pegar é absolutamente normal.
 Mudar a desculpa pra não ter que trepar seria HAHOU, e lá elas podem dizer com cara de dó: “íh, hoje não vai dá, esqueci minha boceta em casa môzin”, ao invés de: “estou com dor de cabeça”, desculpa pra lá de over. Imagina, poder aplicar creme vaginal ou tocar uma siririquinha sem malabarismo e dor no braço? Se arreganhar no gineco e passar por momentos constrangedores, NUNCA mais. Lá elas simplesmente levam suas bocetas numa bolsa e elas são atendidas individualmente pelo doutores sempre muito atenciosos. Nem vou falar do “sexo autoral”, seria pedir demais.  
Seria muito bom também, acabar com a falta de contato visual bocetal, acompanhar o envelhecimento dela de perto sem essa distância absurda. E acabaríamos principalmente com a monotonia vaginiana, isto é: seu homem/mulher poderia comer outras bocetas sem o estigma da “traição”, e nós poderíamos experimentar outras sensações, pq cada boceta tem a sua maneira de enxergar o mundo. Ou melhor, cada mundo tem seu tipo de boceta. Aqui na terra a gente sonha com mais mobilidade... Quem sabe um dia a gente se desencaixa?

7 de set de 2010

Papo de comadres

O inverno no Rio de Janeiro é muito atípico.
Em um dia desses, onde a temperatura beirava os 38°C, estava eu no ônibus amarelo que me leva da faculdade para a mais-valia...

Eu estava sentada do lado do sol, o engarrafamento estava terrível e eu só tentava me concentrar em meus textos. Duas mulheres no banco ao lado contemporizavam (falando muito alto) sobre assuntos diversos. O trabalho, os vizinhos, a família, o clima...

Alguns passageiros já se mostravam incomodados pelos decibéis acima, mas elas continuavam falando e gargalhando, alheias aos olhares de condenação.

Certa hora, uma delas solta, falando mais alto ainda.
ODEIO SAPATÃO. O-D-E-I-O! CRUZ CREDO ESSAS SAPATÃO!

Todo mundo olhou para elas.

A outra respondeu: HAHAHAHAHAHAHA.

A passageira que estava na minha frente e que até então não tinha mostrado nenhuma reação ao escândalo das comadres, olhou para o lado com olhar indignado e bradou para o nada "Eu, hein. Um bando de mulher boba".

Eu ri sozinha.
Andar de ônibus no Rio é sempre uma surpresa.

4 de set de 2010

Sem métrica ou rima




Certas coisas só o espelho do banheiro entende
(ou um poema ao grito não dado)


Exaustão indecente da rotina
Contracheque mirrado
Folga suspensa
Frila não pago
Roupa que não cabe
Vazio do armário
Atraso na entrevista
Telefone cortado
Espinha na testa
Feijão vomitado
Casa com z
Furo não dado
Pensamento contido
Relógio acelerado
Choro mugido
Bolso furado

2 de set de 2010

Segredinhos

Quem me vê assim passando nem imagina que sei muito sobre boleros. E quem me olha não pensa que eu tiro meleca e passo debaixo das mesas e nas portas. Quem me fita não sabe que tomo remédio tarja preta pra dormir, e muito menos imagina que já matei alguém sufocando com um travesseiro no leito de um hospital público.
Quem me olha assim, serena, não faz ideia das vinganças que eu tramei na infância, esfregando no vaso a escova de dente de quem me tirava do sério. E as loucuras que já fiz pra sair do tédio? Ninguém imagina. Quem me vê assim, de batom e unhas feitas, não pensa que eu já fiz sexo com animais numa fazenda no interior do Pantanal com um anão de sunga flúor. Nem que herdei da minha avó Maria, um baralho de tarô, que troquei por um piru de plástico.
Eu acho que quem me vê assim, toda melindrosa, não realiza o dedo de prosa que eu tive há alguns anos com o Diabo, e muito menos que eu escuto no meu MP3 clássicos de Jorge Vercilo. Quem me vê assim não imagina que tenho alguns amigos que roubam carros na calada da noite preta e se perdem comigo na sarjeta. E nem podem imaginar que já tive cândidiase, aquele fungo irritante que faz a boceta coçar desesperadamente.Um dente podre, uma imensa cultura sobre livros, uma percepção boa e uma forte tendência ao alcoolismo. Quem me vê assim, andando distraída pela rua da amargura, não imagina o quanto eu posso mentir na cara dura.