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10 de nov de 2012

Antes de levantar



Às vezes, esparramada entre esses lençóis, fronhas, travesseiros e cobertores claros, me sinto engolida, tragada por um imenso e doce mar branco. E cresce em mim a vontade de me afundar cada vez mais, mais e mais...

O céu hoje acordou tão branco quanto meus lençóis. Deitada, não vejo pela janela sem grades nem o sol, nem o azul, só um tapete cor de neve, estendido até onde meus olhos alcançam, daqui de onde me encontro.

E vejo o vento levantar as folhas do meu bloco de notas, que repousa sobre meu ventre enquanto escrevo, em posição de quem ainda há pouco dormia. Mas ao mesmo tempo em que o sopro tenta desorganizar essas anotações que faço agora, já tão tortas e rascunhadas, ele vem e me abraça. Só ver é muito pouco. Vale mais a pena sentir. Fecho os olhos. Sinto.

Sinto meu corpo amolecer nesse espaço tão grande, que eu quero só meu. Sinto, e me esparramo, e ocupo cada um desses cantos, como se não houvesse um corpo cheio de limitações, mas algo além de mim. E enquanto crio forças para deixar de me envolver por esse universo que inventei, peço, rezo para quem puder ou quiser me ouvir, que eu não deixe de sonhar, mesmo longe dessa cama.

e por mais um dia, mais uma vez, eu levanto, eu tento ir além de mim mesma...

Um comentário:

  1. Realmente nossa cama às vezes torna-se um universo, principalmente de sonhos e pensamentos!

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Áhh, que fofo você comentar!!!