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1 de jun de 2011

Não sei viver de pouco amor


De vez em quando sou surpreendida com a pergunta “você não acha que está na hora de arrumar outro namorado”? Ou então, “você não acha que agindo assim, você vai espantar os homens?”. Ambas me deixam furiosa, como se o mundo girasse em torno da busca por um macho.

Mas não um macho que satisfaça suas necessidades, tanto sexuais como sentimentais. Mas sim um macho que fique prostrado ao seu lado, só para você dizer “ei, eu também tenho o meu! Olha ele aqui!”. Acho que a ideia de relacionamento foi totalmente subvertida pela necessidade de mostrar ao outro que você também tem um. Algo do tipo “alguém me quer, não estou sozinha (o) nesse mundo”.

Mas o que mais me irrita em relação a essas duas perguntas, é que em primeiro lugar, elas sempre são feitas justamente pelas pessoas que têm os relacionamentos mais medíocres e lamentáveis que conheço; em segundo lugar, sempre são feitas pelas pessoas mais moralistas e preocupadas com a opinião alheia que conheço; e em terceiro lugar... bem, vou ter que ser um pouco mais extensa nesse ponto.

Para começar, tenho uma premissa básica completamente idiota, que vai contra praticamente tudo o que eu vejo em outros relacionamentos. Para namorar, eu preciso estar apaixonada. Aí, você me diz “mas todo mundo age assim”. Mentira. Essa é a mentira mais deslavada que alguém pode contar.

Eu não namoro porque não gosto de ficar sozinha; eu não namoro porque tenho medo de ficar sozinha; eu não namoro porque preciso ser amada; eu não namoro porque o cara é legal; eu não namoro por afinidades; eu não namoro por causa da condição financeira da pessoa; eu não namoro para esquecer alguém. Não, nada disso. Mas aposto que você já namorou por algum dos motivos acima. Já eu, não. Podem me chamar de total idiota. Mas se eu não estiver apaixonada, não vai rolar.

E não basta essa paixão vir só de mim, não. Se eu não tiver a plena certeza de que a pessoa está, no mínimo, tão apaixonada quanto, esquece. Mais uma vez, me chamem de idiota. Mas eu dispenso sem um pingo de dúvida alguém por quem eu esteja muito apaixonada, se eu achar que não há reciprocidade. Dói. Pra cacete. Mas a dor um dia passa. E ponto. Só morre de amor quem quer. E eu sei muito bem do que estou falando.

Podem dizer que sou doente de orgulho. Sou mesmo. Juro que qualquer dia faço terapia. Mas eu fico em dúvida se sou mesmo muito orgulhosa, ou se a maioria das pessoas não tem um mínimo de amor próprio. E acabam cobrando dos outros um amor que nem elas mesmas são capazes de doar a si.

Penso que a maioria das pessoas simplesmente não consegue ficar sozinha. É como se elas não se suportassem e precisassem de alguém ao lado. Meu achismo me obriga a dizer que pessoas assim não conseguem nutrir relacionamento saudável com ninguém. Pelo menos não por muito tempo. E o pior, é que raramente percebem isso. E pior ainda, continuam insistindo na porcaria de relacionamento que têm.

Vivemos em uma sociedade em que, depois de certa idade, a pessoa (principalmente a mulher) tem que estar em um relacionamento, senão fica feio. Mas, me respondam uma coisa. Todos os seus relacionamentos valeram a pena? Não, não valeram. Mas você esquece tudo o que já viveu e vai procurar alguém para satisfazer necessidades que você deveria aprender a suprir sozinho. E já começa a busca errando.

Conheço muita gente que procura se relacionar com base em algum status, seja ele qual for, e esquece sua própria mediocridade. Mediocridade, veja bem, que varia de acordo com o juízo de valor de cada um. O dito “cara popular”, por exemplo, é algo que não me afeta. Eu trocaria um mauricinho de carro importado por um músico fudido de grana, sem nenhum remorso ou constrangimento. Mais uma vez, podem me chamar de idiota. Fazer o quê? Sou assim.

Mas a meu ver, o maior erro está na palavra “procurar”. Certas coisas não se procuram. Elas simplesmente acontecem, aí está a mágica. Como dizia Fernando Pessoa, “Todo início é involuntário”. E eu digo que tudo na vida tem seu tempo. É claro que precisamos fazer com que as coisas aconteçam. Mas acredito piamente no destino. E acredito também que atraímos o que merecemos. E se o que você tem encontrado não te faz feliz, talvez o erro esteja em você.

Para encerrar esse post, preciso ser sincera. Todo esse texto nada mais é do que uma desculpa que eu preciso inventar para mim mesma, para justificar o maior de todos os meus defeitos: Não sei viver de pouco amor. Prefiro ficar sozinha, a viver sob migalhas de sentimentos. Tanto meus, como dos outros. Talvez eu cobre demais. Talvez. Mas, como dizia Nelson Rodrigues, “Pouco amor não é amor”. Mesmo que se ame totalmente errado. Mas isso já é tema para outro post.

9 comentários:

  1. Deve ser por isso q eu sou tua fã.
    Objetiva e clara.
    Sinto vontade de escreve muitas coisas, mas adoro esse negócio de ser um ser off, rs
    Só posso dizer q amei mas uma vez.

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  2. Voce esta de parabens! Estava em divida com outros posts, mas acabo de me atualizar.

    Grande Beijo

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  3. Adorei seu blog! Parabéns. E esta postagem é muito legal e honesta. É isso mesmo...Quem se contenta com pouco não merece muito.
    H.

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  4. AMIGAAAAA VC É FODA!!!
    SÓ DIGO ISSO

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  5. Claudinha....Vc pensa igual a gente (seus amigos), é a convivência rs. Está com total razão, quando nos amamos, temos dificuldade de conviver com pouco, conforme mencionou, como também, com atitudes incoerentes, infantis, etc. Ame-se e seja feliz, quando estamos nesse estado de espírito, sabemos escolher melhor para sermos felizes de verdade, não de mentirinha como muitos. Sei que isso requer um "bucado" de tempo, mas como disse, o que importa é ser feliz.

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  6. Adorei o post. Parabéns!
    Penso exatamente assim você leu minha mente rsrsrs.
    Bjs.

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  7. Jogar tudo fora é o que há. O que não se sustenta mais, não dá para continuar e arrumar uma muleta é ainda pior.
    Ou está ou não está. Já fiquei no morno. Agora, só quente ou frio, nada de meio termo.

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Áhh, que fofo você comentar!!!