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15 de jul de 2011

Vômito


Com frequência meus pensamentos vão mais longe do que eu gostaria. E por se perderem por aí, me prendem. E preciso escrever, preciso de cada uma dessas linhas para me libertar, procuro em cada parágrafo uma redenção. Uma redenção do que sinto, sob a confissão velada nesses signos: as palavras.

Mas às vezes, meus pensamentos – lembranças passadas ou invenções futuras – não me deixam em paz. E eu começo a temer por recordar demais, sonhar demais e viver de menos. E para me livrar desse mundo que invento, que me escondo, eu me enveneno com doses e mais doses do que poderia ter sido e não foi. Do que nunca vai ser.

Preciso reviver cada mágoa, cada esperança perdida, remexer cada ferida cicatrizada, para me libertar da prisão de meus pensamentos. Que me fazem idealizar demais. E sofrer demais, ao constatar que a realidade em nada condiz com o devaneio.

Com o tempo aprendi a me enganar, fingindo que apesar da fantasia existir, não existe expectativa em mim; é só um mundo inventado para passar o tempo. E faço da mentira a maior de todas as ilusões. E coloco pedra sobre pedra na construção de um muro repleto de dores abafadas, gritos surdos, que o ressentimento não me deixa escutar.

Mesmo tentando esconder, ele está sempre ali, presente. Pode estar atrás de uma rocha, ou me espreitando sobre uma árvore. E desesperado para se fazer enxergar, surge do nada, sem que eu queira. Cria forma nessas gotas de tinta que saem da minha caneta, no alto ruído de minha boca com minhas risadas, na água salgada que brota dos meus olhos – não importa como se apresente: rende-se como a mais pura manifestação do que não sei guardar em meu coração.

E se me engano ou não com meus discursos contraditórios, mas sempre sinceros – só me resta escrever como consolo. Mas não quero dizer que apenas escrevo e não vivo. Mesmo não me sentindo viva, mesmo tendo em mim um milhão de sentimentos que mal sei controlar. Então diga que vivi. Só que amei pouco. Mas amo tudo demais ao mesmo tempo. Será que ainda posso considerar amor, os amores que morreram?

Diga que não tenho motivos para chorar, mas procuro uma razão. Só para dizer que eu sinto. Diga que eu preciso aceitar que não posso ter tudo o que quero – mas que preciso aprender a querer alguma coisa de verdade. Algo que me faça deixar de ser só mais um pedaço de poeira solto no universo. Que me faça desprender das raízes que finquei no solo.

Mas diga que essa coisa depende só de mim, algo que me dê certeza. Então não me venha com amor. Esse depende de um segundo. E quando nasce o duplo, a certeza morre. A extensão de mim mesma, que sou muitas em uma só, já é confusa o suficiente para me fazer perder a cabeça. Definitivas são apenas as palavras que escrevo – que não vão expressar o que sinto agora, mas apenas um pequeno pedaço do que pensei no minuto (aquele único minuto que nunca mais vai se repetir) em que escrevi.

Então agora me diga que não há mais nada a dizer, a escrever. Que minha mente ficou vazia, apesar de ainda sentir o coração pulsar, como se queimasse. Diga que não preciso me envenenar por nunca ter nada para dar; nem ter ninguém que possa receber. Só não me diga que eu preciso de uma pergunta, qualquer pergunta que seja, solta entre tantas dúvidas minhas. Porque, no fundo, eu sei que a resposta é apenas uma: sempre é amor.

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