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26 de set de 2010

Pequena crônica de merda

Era de uns 30 e poucos anos. Careca. Gordo. CAGALHÃO. Como quem come um mundo de podridão, todos os dias, J. assinava as tardes entediantes, com o fedor insuportável de merda socada do cu.
Bosta robusta, daquelas que só diabo solta do inferno quando despeja no mundo desgraças e detritos funestos.
Antes mesmo de bater na água a merda já fétida, ecoava pelos quatro cantos do reto.
E as mentes das máquinas se confundiam ao primeiro filete de sentido agudo do cheiro.
Quando tocava no ar, era agoniante para olfato e paladar das bocas que se calavam em peso. O cheiro de tão forte se transformava em gosto, e o desgosto da vida era carimbado na língua pesada e castigada.
Não importava o clima, se quente, frio ou morno, ou gelado, a bosta vinha e com intensa anomalia fervente, rasgando a tranqüilidade nasal das máquinas do salão amarronzado.
E depois passava ele, pesado e leve,  sério, mal humorado e gordo.  Cagalhão por natureza e destreza. Destruindo a bondade do ar, transformando tédio em desespero nas tardes de todo santo dia.

5 comentários:

  1. Tu se amarra nessas paradas, né?! porcalhona!!!

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  2. pior coisa é gente q não entende de poesia escatológica.

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  3. Este teu texto põe o Glauco Matoso e o Bucowski no bolso...
    Para perfumar teu post, trago o Manifesto Coprofágico, do Glauco Matoso.
    E dá-lhe Bom Ar...(rs)

    MANIFESTO COPROFÁGICO

    Mierda que te quiero mierda
    Garcia Loca

    a merda na latrina
    daquele bar de esquina
    tem cheiro de batina
    de botina
    de rotina
    de oficina gasolina sabatina
    e serpentina

    bosta com vitamina
    cocô com cocaína
    merda de mordomia de propina
    de hemorróida e purpurina

    merda de gente fina
    da rua francisca miquelina
    da vila leopoldina
    de Teresina de santa Catarina
    e da argentina

    merda comunitária cosmopolita e clandestina
    merda métrica palindrômica alexandrina

    ó merda com teu mar de urina
    com teu céu de fedentina
    tu és meu continente terra fecunda onde germina
    minha independência minha indisciplina

    és avessa foste cagada da vagina
    da américa latina

    (do Jornal Dobrabil)

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  4. rico, vc sempre me botando pra cima, quem me dera a técnica do buco e a podridão do glauco que é um ícone pra mim. já leu manual do podolatra dele?
    é sensa. faz vc ficar com tanto nojo que é poético.

    amei esse, já conhecia!

    obrigada! beijos!

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Áhh, que fofo você comentar!!!