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2 de set de 2010

Segredinhos

Quem me vê assim passando nem imagina que sei muito sobre boleros. E quem me olha não pensa que eu tiro meleca e passo debaixo das mesas e nas portas. Quem me fita não sabe que tomo remédio tarja preta pra dormir, e muito menos imagina que já matei alguém sufocando com um travesseiro no leito de um hospital público.
Quem me olha assim, serena, não faz ideia das vinganças que eu tramei na infância, esfregando no vaso a escova de dente de quem me tirava do sério. E as loucuras que já fiz pra sair do tédio? Ninguém imagina. Quem me vê assim, de batom e unhas feitas, não pensa que eu já fiz sexo com animais numa fazenda no interior do Pantanal com um anão de sunga flúor. Nem que herdei da minha avó Maria, um baralho de tarô, que troquei por um piru de plástico.
Eu acho que quem me vê assim, toda melindrosa, não realiza o dedo de prosa que eu tive há alguns anos com o Diabo, e muito menos que eu escuto no meu MP3 clássicos de Jorge Vercilo. Quem me vê assim não imagina que tenho alguns amigos que roubam carros na calada da noite preta e se perdem comigo na sarjeta. E nem podem imaginar que já tive cândidiase, aquele fungo irritante que faz a boceta coçar desesperadamente.Um dente podre, uma imensa cultura sobre livros, uma percepção boa e uma forte tendência ao alcoolismo. Quem me vê assim, andando distraída pela rua da amargura, não imagina o quanto eu posso mentir na cara dura.    

7 comentários:

  1. Yeah! Quanta inspiração...
    Curti deveras, bjos!

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  2. Tendência ao alcoolismo é nosso ponto em comum, gata!
    Parabéns pelo desabafo.

    Bjs
    Gold Label

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  3. Adorei, essa mulheres colocons, sempre bombandow! Ai que absurdinhus!!!

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  4. caralhoooooooooooow! EU TE AMO, cara!!!!!!

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  5. O melhor até agora... Vc, pura e simples.

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  6. obregada amegas, assim me sinto livre pra contar mais coisas... vcs são tão boas comigo!

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  7. caralho!!!!! é pouco!
    essa coisa de estilo na escrita não é pra qualquer um...

    me remeteu à famosa expressão "Je est un autre", do Rimbaud, desestabilizando o sujeito e tirando o romantismo do marasmo.

    "Vc uma outra" tbm diz. vc tbm desestabiliza o sujeito, numa época em que todo mundo quer construir um EU perfeito, cheio de laquê e base na cara, pra mostrar por aí, no patético mundo das celebridades ocas,
    vc mostra um lado pensante, irônico e bem humorado.
    que bom!

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Áhh, que fofo você comentar!!!