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14 de mar de 2011

Mamãe, quero ser puta


Não estou aqui para fazer crítica cinematográfica. Até porque não entendo porcaria nenhuma de cinema. Isso não me impede de dizer que achei o filme Bruna Surfistinha interessante. Repito aqui o que já publiquei em meu facebook. A mulher virou puta porque quis e não precisou de justificativa alguma para isso. Ela podia lá ter seus problemas familiares e sofrer por não ser a popular da escola. Problema dela. Apenas uma menina entre 500 vai ser a fodona no colégio e crises domésticas todo mundo tem.

Vocês se lembram daquelas histórias em que pobres coitadas são obrigadas a viver na prostituição, porque simplesmente não há outro recurso, e sofrem como donzelas dignas de protagonizarem uma açucarada novela mexicana com o desafortunado destino? Pois é. Em Bruna Surfistinha eu vi uma menina que estava de saco cheio da porra da vida e pensou: “Foda-se. Vou dar por dinheiro”. Achei sensacional.

Sobre o filme eu já ouvi de tudo. Mas o comentário que mais me intrigou foi o de que a história seria uma apologia. Só não entendi exatamente apologia a quê. É claro que a história fugiu um pouco da realidade e em alguns momentos apelou para o romantismo típico de um produto da indústria cultural. Por exemplo, e as cenas em que ela não recebe pelo trabalho prestado, ou então as que ela sofre agressão de um cliente? Sabe-se muito bem que isso acontece, basta conversar com qualquer prostituta para ouvir esse tipo de relato.

O que vemos é uma menina toda pimpona, feliz e contente por ser objeto de desejo de milhões e milhões. Mas a questão é: será que o que incomoda é o que poderia ser considerado uma apologia a prostituição ou a banalização do sexo na visão de uma mulher? Acho que a segunda opção é a que prevalece. Mas, vamos lá. Afinal de contas, o sexo não é de fato uma coisa totalmente banal? Não vou levantar questões que envolvam premissas éticas e morais, mas a verdade é que não consigo entender porque raios a penetração ainda tem uma conotação tão forte na sociedade. Tá bom, eu até sei. Mas porra, vamos convir, é só sexo. Pronto.

Apesar de essa ser uma atividade humana tão comum quanto qualquer outra, ela gera uma série de conflitos e preconceitos. Principalmente quando diz respeito às despudoradas fêmeas. Por que, para tantas pessoas, é difícil aceitar uma mulher que goste de sexo e não se importe em transar com quem bem queira? E não me venham com aquele velho senso comum dizer “mas hoje virou tudo uma bagunça, ninguém liga para mais nada”. Não é assim, não.

Em geral, para justificar essa bagunça, basta marginalizar a mulher. É tudo culpa nossa, estamos muito fáceis. Ouço com frequência discursos puritanos até mesmo de pessoas que admiro muito, do tipo: “ai, esse mundo tá perdido”. Tá perdido por quê? Porque existem mulheres que, assim como muitos homens, fazem o que querem sem se importar com o que vão pensar delas?

A puta que existe em mim
E sabe o que é pior? Saber que esse meu discurso vai gerar interpretações que não têm nada a ver com o que eu quero dizer. Coisas do tipo “ah, tá bom, até parece que você é a maior vagabunda”, ou então “valeu, começa a cobrar para fuder agora”. Já ouvi as duas, o que, sinceramente, me deu muita raiva. Não estou aqui falando de mim. Estou falando da hipocrisia generalizada que reina nessa sociedade que se diz muito liberal, mas que é moralista.

Mas, se alguém quer mesmo saber de mim, vou falar uma coisa. Durante o papo de calcinhas, já aconteceu de eu dizer que não queria transar com um cara que tinha acabado de conhecer e ouvir a seguinte resposta: “ah, amiga, é verdade, eu também me seguro pra caramba”. Minha resposta nesses casos não varia muito. “Eu não seguro porra nenhuma. Não vou deixar de fazer o que tenho vontade de fazer, por medo do que o cara vai pensar”. O problema é que eu convivo com tanto homem idiota, que despertar em mim interesse sexual é algo difícil. Em geral, apenas “pego” por esporte ou porque estou bêbada.

Então, caros senhores, vocês acham que se me bater interesse, eu vou fazer média? Jamais. Eu praticamente vou abrir as pernas e oferecer minha delicada flor. Confesso que não fiz sexo com muita gente diferente, mas na maioria das vezes, eu fiz logo na primeira vez em que fiquei. E se algum deles me julgou mal por isso, sinto muito. Não são homens para mim. Se eu não sou uma dita “piranha”, não sou simplesmente por pura falta de oportunidade. Porque, sinceramente, não vejo problema algum em distribuir o que é meu.

E foi exatamente por isso que me declarei fã da tal da Surfistinha, depois de conhecer um pouco da sua história. Ela diz que fez muitas escolhas erradas na vida, mas diz que nunca considerou sua profissão um erro. Concordo e assino embaixo. Puta tem por aí aos montes. Hoje em dia, muitas delas se declaram meninas moças, mas se vendem na noitada por uma garrafa barata de um uísque qualquer.

MALralismo
Mas, se o sexo é tão banal, seja por troca de favores ou não, porque simplesmente ouvimos de nossos amiguinhos histórias escabrosas, mas não ouvimos das amiguinhas nada que extrapole em muito o tradicional papai e mamãe? Por que essas mulheres não se libertam e admitem que são assim, que gostam mesmo e ponto final? Porque VOCÊ, isso mesmo, VOCÊ, É PRECONCEITUOSA(O) PARA CARALHO, e vai julgar e jogar a mulher na fogueira da inquisição. E lasca pedra na Geni.

Você não quer se amiga de uma fudecona, afinal, pode ficar feio para o seu lado. Você não quer namorar uma puta que geral já comeu, imagina a vergonha. Mas o seu namorado por ser um ex-filho da puta (ex porque você quer), os seus amigos podem ridicularizar as mulheres com quem ficam e você pode dividir com seus colegas essas vagabundas que você conhece por aí, não é isso mesmo? Sinceramente, estou cansada desse falso moralismo. E sabe o que é pior? Os falsos moralistas sequer se dão conta do que são.

Então, vamos todos continuar fechando os olhos e fingindo que nada está acontecendo, enquanto algumas poucas são apontadas por você, ou até mesmo por mim (por que não?) como uma subversiva qualquer. Enquanto a gente finge que mulher não gosta de sexo tanto quanto o homem, enquanto a gente finge que não existe discriminação sexual, enquanto a gente finge que as mulheres estão se libertando cada vez mais do preconceito social (apesar de as próprias mulheres massacrarem, julgarem e condenarem umas as outras), eu bato palmas – muitas palmas mesmo -, para aquelas que lascam um foda-se para porra toda e não só aceitam, como também não discriminam a prostituta que existe dentro de todas nós.

Um brinde às Brunas perdidas por aí.

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Não vi o filme, ainda, por isso vou falar mais da tua visão sobre ele.
    Para mim, também, existe um moralismo que, em matéria sexual, acende um sinal vermelho para as mulheres e escancara um verde-limão para os homens.
    Creio que trato bem minha partner, mas vejo por aí cenas diárias de opressão à mulher. Marido reclamando em altos brados que a mulher demorou muito tempo num concurso público, tipos mais populares batendo com vontade nas parceiras, empurrão em escada de shopping e ônibus e por aí vai.
    O problema é que até hoje muita mulher não confessa a prática da masturbação, quem dirá que fica com o cara no 1.º encontro.
    São preconceitos enraizados na sociedade patriarcal que, ainda, domina com suas armas da intimidação e da força.
    Mas, crônicas como esta mostram o diferencial, a voz que se levanta contra tudo isso.
    Bom que o mundo já teve uma Leila Diniz, uma Pagu e, por que não, uma Piña Coladinha.

    Beijão.

    Ricardo Mainieri

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  3. Nem me fale, Ricardo. Eu tenho amigas q acham masturbação uma coisa nojenta... mas enfim, vamos respeitar. Mas oq eu n aguentei foi um diálogo q ouvi de estranhos, um dia desses: "Minha mulher me dá a maior moral, minha roupa sempre tá passada, comida no prato(...) Agora têm essas assim que são foda. Só querem saber de visitar a mãe e fazer a unha no salão...". Minha vontade foi perguntar se ele queria uma esposa ou uma empregada. Enqaunto homens e mulheres pensarem desse jeito (e muitos pensam), quem vai ser a louca de bater no peito e admitir: FAZER SEXO SEM COMPROMISSO É MUITO BOM?

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  4. Preciso dizer que concordo muito e assino embaixo de tudo que está escrito aí ! E tenho certeza que se não tivesse encontrado o meu príncipe encantado, seria uma mulher muito mais experiente, porque nada nem ninguém iria me impedir de dar o que é meu, por livre e espontânea vontade e ainda sentir prazer com isso. Não consigo entender o porquê de tantos problemas em ser bem resolvida sexualmente. Falou e disse tudo nesse texto, e eu duvido que aquela que se diz santa, e que diz que transar de primeira é errado, nunca tenha pensado em fazer isso e não fez por medo. Fala sério, mede de quê? Isso é algo que ninguém te tira...
    Sexo é bom demais, o lance é sentir prazer independente do cara ser seu conhecido a séculos ou de apenas uma noite. Mas pra fazer isso tem que ser muito bem resolvida e não ter a frescura de ser arrepender depois, porque já dizem por aí: "a vida é uma só, portanto não deixe para amanhã o que vc pode fazer hoje".
    Amiga já te amava muito, agora te amo e sou sua fã! Bjssss

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  5. cara, vou te falar... eu é q sou sua fã! pq de todas as nossas amigas, vc é a única q ñ mete a marra de puritana. por isso q eu TE AMO mais do q todas!

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  6. Outro dia (ontem) estava eu aqui em Copa, na praia, conversando sobre o o que penso disso, sobre o "enrustimento" feminino.

    Todos os relacionamentos duradouros que tive foram oriundos de encontros iniciais carnais quentes e selvagens. Sou atraído por isso e admiro a mulher que vive essa experiência sem pudor. E agora nessa minha fase solteira de vida tenho me deparado com essas mulheres que não se permitem...se elas soubessem...

    Bjs

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  7. isso tudo que você escreveu é verdade, porque infelizmente os homens (e até algumas mulheres), ou melhor, grande parte da sociedade,é muito machista, tanto que os homens podem sair podem sair ai comendo todo mundo, já as mulheres se dão pra um ou outro , já é considerada puta.

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Áhh, que fofo você comentar!!!