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14 de mar de 2011


As cigarras sabem que seu destino não tem glamur. Sua reprodução é o fim da linha, fim de um canto com mais de 1.200 decibéis.
Depois de expurgar os ovos, que eclodirão no mês de setembro, as cigarras têm um encontro natural com a foice da morte.
Já as ninfas órfãs desabrocham na primavera e enterram-se em buracos. Precisam adolescer logo, chupando a seiva das raízes submersas de árvores líricas. Estão a sós, as vampirescas pequenas ninfas.
Além da fama das fábulas que as associa a lassidão, ainda contam com a inimizade dos lavradores, principalmente os de café. O canto não só as protege dos predadores, mas as tornam insuportáveis nas tardes de verão.  
As hospedeiras sugam somente o sumo da seiva, deixando nada. Não são como os beija-flores politicamente corretos.

As cigarras possuem micro escavadeiras nas mãos dianteiras. E quando é inverno, fazem sexo...

No que a cigarra pensava?
pensava em fumar cigarro ou bebericar café?
a agonia de ser almoço de aranha era tamanha?
Onde estava a cabeça da cigarra?
antes da testa colada na teia?
Quis eleger seu jeito livre de morrer?
Mesmo com três olhos a cigarra não pode ver?
A cigarra quis nascer,
Ou desobedecer?

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