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23 de ago de 2010

Uma dose de Clarice

Com a licença dela eu me atrevo e recorto um trecho para ilustrar o que é amor, para falar do sentimento mais almejado por todos - teoricamente -, aquele que acabaria com as dores do mundo e nos tornaria pessoas melhores. Então, dedico ao homem que me faz melhor todos os dias, um dia depois do outro, um dia de cada vez, até arrebentar de tão grande.
"É que a própria coisa rara sentia o peito morno do que se pode chamar de Amor. Ela amava aquele explorador amarelo. Se soubesse falar e dissesse que o amava, ele inflaria de vaidade. Vaidade que diminuiria quando ela acrescentasse que também amava muito o anel do explorador e que amava muito a bota do explorador. E quando este desinchasse desapontado, Pequena Flor não compreenderia por quê. Pois, nem de longe, seu amor pelo explorador - pode-se mesmo dizer seu “profundo amor”, porque, não tendo outros
recursos, ela estava reduzida à profundeza - pois nem de longe seu profundo amor pelo explorador ficaria desvalorizado pelo fato de ela também amar sua bota. Há um velho equívoco sobre a palavra amor, e, se muitos filhos nascem desse equívoco, tantos outros perderam o único instante de nascer apenas por causa de uma suscetibilidade que exige que seja de mim, de mim! que se goste, e não de meu dinheiro. Mas na umidade da floresta não há desses refinamentos cruéis, e amor é não ser comido, amor é achar bonita uma bota, amor é gostar da cor rara de um homem que não é negro, amor é rir de amor a um anel que brilha".
Trecho - A menor mulher do Mundo, Laços de Família, Clarice Lispector.
 Leia o conto na íntegra http://www.scribd.com/doc/3377868/Lispector-Clarice-A-menor-mulher-do-Mundo

6 comentários:

Áhh, que fofo você comentar!!!