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26 de out de 2010

Cantadas na noite carioca


Apesar de ser uma donzela viril no auge da mocidade, desfrutando róseos momentos na tenra idade, estou só, sozinha, sem pegar ninguém. E direi o porquê, adoráveis leitores que por meio desta me acompanham. Não tenho mais paciência para as obscenidades que ouço nos buracos em que me enfio. E não pense você em referências sexuais, não, não. É que eu ando ouvindo coisas tão absurdas, que chegam a ser ofensivas aos meus deleitosos ouvidinhos. Por isso, muito francamente, não pego mais ninguém na noite, cansei.

Para ilustrar, contarei o singelo episódio que protagonizei em um desses agradáveis eventos da vida. Estava eu numa festa, linda e bela com todo o meu esplendor alto e moureno indígena, quando uma jovem infanta se dirigiu a mim e informou que um audaz mancebo desejava alguns minutos de minha atenção. Mandei às favas e disse que não, muito obrigada. Passados alguns minutos, ela veio novamente, insistindo naquela lengalenga, ao que mais uma vez expressei meu sentimento de desinteresse ao pretendente ludibriado.

Na terceira tentativa, em que ela disse que o algoz estava muito, muito, muito me querendo, resolvi analisar a fuça do moçoilo tão interessado, que não tinha culhão o suficiente para sequer puxar um papo saudável comigo e precisava desesperadamente da mediação alheia. Para meu espanto, era um gato. Então, pensei lá com meus botões: “Já estou bêbada, não tô pegando ninguém e o cara é bonito. Com qualquer cinco minutinhos de conversa, eu pego mesmo” - para você ver que, mesmo adotando uma seleção muito criteriosa, nem assim consigo me interessar por alguém que preste.

Enfim. Falei para a menina que eu conversaria com ele, ao que ela fez um aceno positivo para o amigo do rapazote que desejava meu corpitio – porque o palerma precisava de duas pessoas bancando o cupido para dizer apenas “oi”. Ao que o amigo dele teve a audácia de fazer um movimento manual, indicando que eu me aproximasse. Apenas virei para o lado e respondi gentilmente para a bondosa púbere que ansiava a formação de um novo casal: “Como é que é? Ele quer me conhecer e ainda quer que eu vá até lá? Ele que venha aqui, se quiser”. Porque sou bem dessas franquezas mesmo.

Ele chegou visivelmente alterado pelo etílico e começou a falar um monte de abobrinha, demonstrando claramente a necessidade quase patológica de contar vantagem sobre tudo. Mas vou encurtar o já delongado relato e ir direto para uma pobre reprodução de algumas passagens desse diálogo, que me fôra deveras peculiar.

Ele: Eu vivi na França durante uns cinco anos por causa do meu trabalho, tinha contato com todo mundo lá, conversava todos os dias com os gringos.
Eu: Je ne crois pas! Vouz pouvez parler en française avec moi, seulement un peu? Il est la premier fois qui j`ai l`opportunité de parler avec quelqu`un au-delá ma professeur.

(...) sonoplastia: grilos no ar.

Ele: Ah... você fala francês? ...sabe o que é? É que eu só conversava em inglês... você também fala inglês???? – perguntou, visivelmente preocupado.
Eu: Falo sim... – óbvio que nessa altura do campeonato eu nem tinha paciência para deixar o rapaz ainda mais constrangido, e preferi não pedir que ele falasse em inglês comigo.

Ele: Mas, além de jornalista, você faz mais alguma coisa?
Eu: Sou fotógrafa e dou aula na Candido e na Veiga.

Ele: Legal, eu também sou professor!
Eu: Eu não sou professora, apenas substituo alguns professores de vez em quando.

Ele: Ah, tá... mas eu também sou professor substituto lá na Veiga.
Eu: Ah é? Então me conta aí, em qual unidade da Veiga você dá aula?

Ele: Na Veiga lá de VICENTE DE CARVALHO.
Eu: (passada com o tamanho grau da mentira deslavada) Em Vicente não existe Veiga de Almeida.

(...) sonoplastia: novos grilos no ar.

Ele: Não, que é isso! Existe sim!
Eu: Não existe, não.

Nem preciso dizer que, pouco depois, ele virou as costas e foi embora, sem sequer (mas é claro) ousar insinuar que queria comigo algo mais do que um diálogo amigável.

Mas não termina por aíSemana passada, ocorreu outro saudoso evento que não posso deixar de relatar aqui. Um indigente bem aparentado, desses morenos altos e fortes que enchem o rabo de anabolizantes, começou a ser um baita de um inconveniente, soltando esporadicamente gracinhas ao pé deu meu ouvido como: “você está me deixando louco”, “você é a morena mais maravilhosa daqui”, “eu estou apaixonado”. Ao perceber que suas cantadas baratas sortiam como único efeito em mim um crescente ódio no coração, ele mudou de tática.

Pediu, de maneira muito cortês, alguns minutos de atenção. Com aquela cara muito contrariada, demonstrando claramente minha total falta de paciência para com ele, respondi um mero: “fala aí”. Ao que se desenrolou o seguinte:

Ele: Eu queria que você soubesse que tocou de maneira diferente o meu coração.
Eu: (Muito abismada) Ah, mas tu tá de sacanagem comigo? Tu não tem (SIC) vergonha de mandar uma breguice dessas pra mim, não???

(...) sonoplastia: grilos no ar.

Ele: Não... bem... sabe o que é? Você já deve estar acostumada a ouvir isso de todo mundo por aí. Mas eu quero que você saiba que EU SOU DIFERENTE DOS OUTROS. EU ESTOU SENDO SINCERO!
Eu: Continuo não interessada.

Ele: (Chocado) Mas por quê? Olha bem pra mim. Eu sou feio?
Eu: Não, você é o maior gostosinho, dá para o gasto.

Ele: Então, o que falta para a gente SE BEIJAR GOSTOSO AGORA?
Eu: Falta O MEU INTERESSE, E EU NÃO ESTOU A FIM.

Não preciso dizer que ele passou a merda da noite toda aporrinhando a porra do meu saco. O mais sensacional de tudo é que as pessoas acham um absurdo o fato de eu não estar ficando com ninguém. Como seu eu tivesse achado a boca e a pepequinha no lixo. Já ouvi um amigo dizer que, desse jeito, eu ia acabar ficando sozinha ad aeternum. Foda-se. Fico mesmo. Sem falsa modéstia, sou inteligente demais para aturar isso.

5 comentários:

  1. As melhores relações, pode acreditar, não nascem em meio a hálito de scoth e fumaça de cigarro.
    Elas podem surgir de um papo em comum, da descoberta de sintonias pessoais, de um encontro casual ou até profissional.
    Dou toda a força pra vc. negar-se a ser seduzida por estes tipinhos bombados e vazios por dentro.
    A mulher com luz própria sempre vai ter lugar neste, diríamos, mercado de afetividades.
    Pena que os humanos, ainda, fiquem com medo dela...

    Beijão.

    Ricardo Mainieri

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  2. Gostei do texto.
    Divulguei no meu twitter.
    Pode ser que apareça um príncipe encantado...(rs)

    Beijão.

    Ricardo Mainieri

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  3. já pensou em sair cantando os Viriu por ai? talvez vc ache uma nova forma de curtir a vida!!! bem estilo vampiro procurando sangue!!!!
    rs... vai achar homens iinteressantes.. imagine só: vc em uma biblioteca; teatro(nesse vc ainda poderá buscar alvos pelo humor ou outros), em palestras e etc... rs... já cansei de Boates, academias e TheHouse... vou tentar um lual.. quem sabe!!! Sr. Blindex

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  4. HUAHAUHAUHAHAUAHUAH! ah, amigo, tá foda!!!! o público do lual vai ser esse mesmo aí.... tem jeito ñ!!!!

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Áhh, que fofo você comentar!!!