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20 de mai de 2011

O Jardim de Nabuco


Quem o fez foi o próprio.
Queria ter um espaço inóspito para trepar em formas despolidas.
Arrumou em setembro, mas nele não havia flores, nem cheiros.
Dentro dele morava um pássaro curioso em forma de gato quadrúpede.
Acordava às 6h e dormia às 3h, pegava sua roupa de felino no varal.
Pensava que  concreto podia ser sachê de chá de sentimento, dizia que descia sólido.
O pássaro gato se chamava Nabuco e era órfão, ainda pequeno sua mãe teve lupus.
No jardim, Nabuco choramingava uva passas pra passarada em revoada, assim, não ficava sozinho.
Um dia, no reflexo da poça viu uma mosca com cara de moça olhando pra lua.
Cantarolava mini cantarolices de pássaro gato e pensava na Babilônia.
Línguas estranhas que Nabuco falava, pediam licença e passavam entre os dentes.
Sabia que era mais que um gato, mas não passava de ter pêlos e unhices.
Sal-ti-ta-va, pensava que tinha carne com látex, e comia apenas caraminholas em promoção.
Quarou uns lençóis encardidos de estrelas, estavam expostos em sonhos sujos.
Sabia de muitas coisas que já tinha sonhado, cultivava indômito o medo, dizia que preferia os rejeitados.
Brincava de ser um menino com um olho vazado de pirata que engolia facas de prata.
Seu maior absurdo imaginado era ter um pênis pelado, não no sentido de estar nu, mas na figura de ter pêlos, o seu era liso e ele não sabia que o tinha. Nabuco não pensava nas genitálias.
Nabuco só queria brincar no jardim e não conhecia ninguém que falasse seu barulho.

4 comentários:

  1. Muito bom. Vc só pode ter escrito com drogas na mente, ñ é possível. Vou lançar uma maconha em minha próxima visita, pra ver se minha literatura se abre para as subjetividades metafísicas.

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  2. Piña, a literatura pode não se abrir para as subjetividades metafísicas, mas outras coisas se abrirão para as objetividades metaduras.

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  3. Drogas? Subjetividades metafísicas e metaduras? Isso deve ter sido fruto de muita ingestão de substâncias transcendentais ao longo dos anos...

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  4. Bagageira sempre com suas observações muito pertinentes. Sensacional.

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Áhh, que fofo você comentar!!!