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21 de jul de 2010

“Literatura” de autoajuda

Chamem-me de preconceituosa. Foda-se. Sou apaixonada demais pela literatura para me submeter às categorias mais conhecidas como “autoajuda”. Aqueles livrinhos mixurucas de bolso, que te ensinam como ganhar dinheiro, como ser feliz sem dinheiro, como fazer amigos, como trepar todas as noites, como tirar a porra da unha encravada do dedão do pé esquerdo e por aí vai.

Vou explicar o porquê de tamanha hostilidade. Em primeiro lugar, esses livros abstraem totalmente o individualismo e tratam os leitores como se fossem uns bonequinhos industrializados. Intertextualidade? Esquece isso. Todo mundo é igual, sujeito à situações iguais, tão medíocres como as relatadas nesses singelos impressos. Te vêem como uma suntuosa pasta de porcaria alienada e massificada, e você não só acha muito legal, como paga para isso.

Ensinam como seguir um modelo, como você deve fazer para se vender; tentam te transformar em um produto pronto para ser colocado na prateleira ao término da instruída leitura. Pois muito bem. Esse rompante anti-sistema-capitalista-industrial-contra-cultura-de-massa-sei-lá-mais-o-que-das-quantas se deu por um único motivo. E juro que tentarei ser breve.

“Ele simplesmente não está a fim de você”
Após terminar meu último livro, comecei a fuçar desesperadamente minha estante em busca de um novo passatempo literário, ao que descobri que não havia nada de novo – ainda nessa semana vou aumentar meu acervo. Eis que encontro bem num cantinho um exemplar intitulado “Ele simplesmente não está a fim de você”.

Ok, pensei, deve ser da minha irmã. Como já haviam me falado de um filme com esse título, e eu não estava fazendo porcaria nenhuma mesmo, resolvi tentar ler para ver qual era. Afinal, conversei comigo mesma, vamos quebrar os estereótipos que você cria, abrir a mente e ver o que isso aqui tem de novo para oferecer. Tudo bem, eu já imaginava que não iria gostar, pelos mesmos motivos citados no início deste post. Mas aquilo ali já é sacanagem.

O narcisista egocêntrico do escritor – que ao que me parece deve ter empurrado em tudo que é buraco quentinho quando solteiro – simplesmente MANDA que você NUNCA tome iniciativa. Traduzindo: NUNCA demonstre que está a fim de um cara e comporte-se como uma típica moçoila do tempo das cavernas, que espera com o rabo sentado um macho viril chegar com seu enorme falo e dar uma bela de uma marretada bem no meio dos seus cornos, como singela demonstração de afeição.

“Se ele realmente estivesse a fim de você, ele tomaria iniciativa”. Insegurança? Falta de oportunidade? Timidez? Nãaaaao, minhas caras. Para ele, essas palavras simplesmente não existem no dicionário do homem moderno. A possibilidade de você se interessar por um cara que nunca sequer olhou para sua fuça e tentar partir para conquista, mostrando o quão interessante você é, nem preciso dizer que simplesmente não existe. E seu eu gostar do mesmo sexo, como faço?

Não que eu seja muito descolada – sou a mais completa pamonha na arte da sedução. Porém, isso não me impediu que diante de tal doutrina incontestável eu mandasse o digníssimo autor para a puta que o pariu.Você pode até me dizer que esse tipo de leitura já te ajudou muito. Você arrumou marido, arranjou namorada, trocou de profissão, descobriu como combinar aquele bolerinho em cachemire que parecia não ficar bem com nada. Sinceramente, acredito que você ganharia muito mais lendo algo que prestasse ou passando o tempo com atividades mais saudáveis.

Mas é claro, esse é só o ponto de vista de quem acredita que cada um tem uma percepção diferente da vida. Bobagem.

9 comentários:

  1. Não sei o que é pior: este tipo de livro de auto-ajuda amorosa ou as matérias apimentadas da revista Nova auxiliando às mulheres a arranjar um cara bacana e endinheirado.
    No universo masculino tem de tudo. Inveterados galinhas, caras mais tímidos, indivíduos sem polimento social, indecisos sexuais e até algum príncipe encantado...(rs)
    Mas, sempre, é melhor dar algum sinal. Pode ser um discreto arrumar de cabelos ou um sorriso más caliente.
    Receitas de bolo são ótimas...para fazer bolo!

    Abs.

    Ricardo Mainieri

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  2. Concordo pelnamente com o post acima.. somos pessoas cada uma com seu comportamento... se a pessoa tem medo de se relacionar ou algo parecido que vá procurar um psicólogo.. ou então se for mulher que procure o Sr. Blindex! rs.... bjssss

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  3. esses livros deveriam ser chamados de livros de AUTOAJUDE-ME, porque só beneficiam o autor.

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  4. Sem querer defender autoajuda, mas eu preciso concordar com o lance da iniciativa. Eu sou uma mulher descolada, que já tomou iniciativa várias vezes na vida e, resultado: só me fodi com os homens. Pq esses retardados acham que a mulher que toma iniciativa é fácil, vagabunda, "só para diversão" e "não para compromisso sério". Ficar sozinha de fato eu nunca fiquei. Mas um anel na porra do meu dedo até agora nada. O lance é se fazer de songa monga pq isso sim eles adoram! Qto mais sem sal, insegura, pouco interessante e sem graça vc parecer, melhor! Assim não representa ameaça, assim não afeta a segurança deles, assim não tem por que ter medo de perdê-la!!

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  5. Bem, eu defendo a autoajuda, acho muito interessante qualquer tipo de leitura que seja para "ajudar-se em alguma coisa".
    O problema é que, se você se sente uma pessoa de baixa estima, infeliz com seus relacionamentos, infeliz no trabalho, sem confiança nenhuma em si mesmo, resumindo, SE SENTE UM MERDA, seria você, ESSE MERDA, que se ajudaria?
    Esse bundão nunca vai conseguir fazer isso sozinho, para isso existem os amigos, os familiares, para poder tirar dúvidas quanto as suas atitudes tomadas e com isso tentar se sentir melhor consigo mesmo e a partir daí poder se ajudar.
    Agora, quanto as atitudes das mulheres, bem... é pra dizer mesmo??? rsrs... então lá vai!
    Não sei se fico feliz ou se tenho pena de vocês, cara, é muito babaca solto por aí, mas é muito mesmo, como esse comentário aqui de cima: "Pq esses retardados acham que a mulher que toma iniciativa é fácil, vagabunda..." caralhaaaa!!! puta que os paril!!!
    Eu não seria a pessoa mais indicada pra falar sobre relacionamentos sérios, gosto muito de uma boa sacanagem, chego até ser, podemos dizer, um pervertido, mas não conto historinha pra ninguém, quer quer, não quer não quer... e assim fica todo mundo feliz, acontecendo o ato ou não.
    Agora vou mandar um recadinho pra vocês mulheres:
    Se estiver afim, faça como disseram alí em cima, use um olhar, uma coisa que não seja muito forte e que possa deixar o homem em dúvida, nunca dê a certeza na nossa mão, pq aí fudeu! Os bundões-que-pegam-geral-e-se-queimam-por-serem-uns-otários-e-não-saberem-que-uma-amizade-feminina-ajuda-a-autoajuda, ouvir o que vocês gostam de fato, como vocês gostam e ter a perspicácia de saber usar essas informações na hora certa, deixando vocês a vontade para escolher uma coisa que seja de comum acordo, seja ficar junto em um relacionamento sério ou não, mas com respeito que é o que está faltando no ser humano e me perdoem vocês mulheres, mas muitas de vocês não ajudam quando se diz respeito a "RESPEITAR-SE", pode sair com todo mundo e não ser uma vagabunda e pode ficar com um otário e virar o comentário do bairro.
    PROCUREM SABER MAIS ANTES DE CONSUMAR UM ATO QUE É PARA TRAZER MUITO PRAZER E NÃO MUITOS APELIDOS!

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  6. ou pelo menos goze um pouco pra sair da rotina!

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  7. se eu estivesse preocupada com apelidos, entraria em crise depressiva agora mesmo!

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  8. Eu acho que o rapaz logo acima escreveu um desses livros, pois tem uma receita pronta de bolo: seja otária e faça de conta que não tá nem ai.

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Áhh, que fofo você comentar!!!