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10 de mar de 2010

O jejum



Havia marcado no relógio: depois das oito da noite, não comeria nem beberia mais nada. Na manhã seguinte, faria exames de sangue que dependiam das doze horas de jejum dedicado e sofrido. Detestava jejuns, adorava comer, e repudiava qualquer imposição médica além de seu entendimento básico.

Para se esquivar da bronca e da tensão com a proximidade do encontro com a agulha e o garrote, sentou no sofá e ligou a TV, mas nada prestava. Pegou uma revista, pegou outra, depilou as axilas e tomou uma ducha rápida pra se limpar dos estresses do dia.

Com o prazer da água gelada escrevendo caminhos por seu corpo, abriu a boca e deixou que as gotas entrassem. Por uma fração de segundos, pensou em deixá-las seguirem seu caminho natural e refrescassem órgãos tão cansados. Sorte ou aviso divino, lembrou-se do jejum. E cuspiu debilmente.

Deitou-se na cama e, no computador, leu emails. O tédio acabaria quando o namorado chegasse do trabalho, desejoso de momentos hedonistas com aquela mulher que havia escolhido pra si. E ele chegou, cansado, quase quando o relógio marca a mudança de um dia para o outro, mas com o desejo latente. Se abraçaram e beijaram e abraçaram a idéia de fazerem pecados suados no sofá-cama marcado por cigarros outrora acesos.

Lasciva como era ela, jovem em cada poro sacana, desceu os jeans que guardavam as jóias que a faziam tremer. Beijou e provou o gosto que tanto gostava, e quando o prazer já não mais cabia em si, percebeu a terrível verdade: havia burlado o jejum.

2 comentários:

Áhh, que fofo você comentar!!!