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26 de mar de 2010

O que te toca?


 








Dia desses discutimos no facebook sobre a poesia. 
O ato de montar palavras que expressem ou não um significado. 
Fiquei pensando sobre o peso do significado em si.
É natural que o ser humano busque significados para tudo, faz parte do DNA.
Outro dia eu li um poema sobre persianas que me chocou. 
Falava de como elas se relacionavam com o lado de fora e de como estava tão dentro ao mesmo tempo. Até as frestas da persiana foram descritas de uma maneira linda. Aparentemente um tema impossível de se poetizar.

Durante o papo, surgiu um assunto sobre estilo, alguém disse que não gostava dos “poetas abstratos”, aqueles que não exibem produto bruto no final. Outra pessoa falou que odiava quando o poema falava das pieguices do amor. Pois bem, o que eu acho não importa muito, e o que sei, é que alguns poetas simplesmente conseguem me despir totalmente.

O que me toca é a poesia sem peso, eu acho isso lindo. E ninguém melhor do que Wally Salomão para discorrer perfeitamente sobre o assunto, através de um poema lindo e feminino. Bebam!!!


EXTERIOR
 
Por que a poesia tem que se confinar
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
                              da greta
                              da gruta
e se espraiar em pleno grude
                      além da grade
do sol nascido quadrado?
 
Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
 
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
-CARPE DIEM!-
fora da zona da página?
 
Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
                   polimórfica e perversa,
não poder travestir-se
                   com os clitóris e os balangandãs da lira?
 
(Do livro -Líbia)

Um comentário:

  1. Esse era porreta!!!
    Junto com o Roberto Piva e o Glauco Mattoso formariam um trio imbatível.

    Beijão.

    Ricardo Mainieri

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Áhh, que fofo você comentar!!!