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24 de abr de 2010

Dois baseados e a conta, por favor

Sábado de plantão. Namorado longe, viajando, enquanto eu me descabelo entre um cliente e outro. Atendo o telefone, pergunto sobre passados, provoco sobre futuro, e anoto, anoto, anoto.

Em casa, depois de quase 12 horas de incertezas, me apego a meu outro alguém, que me garante risadas descompromissadas. Enrolado com uma precisão quase cirúrgica, fino e elegante, meu baseado me espera, a ponta ainda amassada para que o ouro verde não se esvaia em movimentos mais ousados.

Olho, namoro e quase beijo meu símbolo fálico, origem de prazeres quase tão sexuais quanto uma boa noite de sexo. Imponente, apesar de frágil, ele me olha e pede, desejoso: me coloque na boca. Entre a ânsia de lamber e a de sugar, está o ardor por uma viagem.

Deito na cama, preguiçosa, e acendo quem me apaga pro mundo. Com uma tragada profunda, quase visceral, me despeço de quaisquer sentimentos menos nobres. Penso em quão bom é ter um pé inteiro, íntegro, amigo. Ele me leva por lugares dos mais diversos, adversos, e nunca reclama.

Do pé, vou pra boca, molhada, quente, de sorrisos fáceis. Penso em como gosto da textura, penso em como gosto de beijos em lugares não-óbvios. Lembro do cotovelo, e nossa, como eu gosto de carinho no cotovelo.

Com mais uma tragada, me sinto Shakespeare. Mas minha pergunta não é mais dramática. Minha pergunta é quase um desafio: decifra-me ou te devoro. Lembro que quem disse isso não foi Shakespeare, e desato a rir, frouxa mas intensamente, como se a constatação fosse uma piada inédita, daquelas politicamente incorretas e cruas, que tanto gosto. Aliás, acho que sou uma piada dessas.

Sou tantas coisas, todas agora envoltas nessa fumaça que me envolve como um abraço do namorado distante. As cinzas caem no meu peito, e eu as retiro com as mãos no primeiro movimento brusco da noite. Queimaram um pouco, mas nada grave.

Depois de dez minutos - que se fizeram horas - foram-se três centímetros. E, como se o dia seguinte não fosse de novo plantão, dormi com um sorriso no rosto.

4 comentários:

  1. Você relatou o primeiro.......Entretanto o segundo.......fiquei na expectativa......

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  2. a-d-o-r-o!
    agradeça a mim por tanto prazer.. ahahha!

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  3. O título era uma alusão a coluna da Revista de Domingo, do O Globo. Eles pedem duas bebidas e a conta em conversas com grandes personalidades. Como não sou metade, só relatei o primeiro. No segundo já não tava muito na vibe de escrever, rs.

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Áhh, que fofo você comentar!!!