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16 de abr de 2010

Faz um marketing pra mim?

Há alguns meses, quase ninguém sabia quem era Dilma Rousseff. De repente, como em um passe de mágica, ela empata com Fernando Serra e disputa o primeiro lugar na pesquisa eleitoral para as eleições presidenciais. Feitiçaria? Macumba? Simpatia? Ebó? Não, seus bobinhos! De forma alguma. Esse pessoal é muito mais audacioso. A peripécia é mais conhecida como marketing. Seu poder é tamanho que tem como potencial transformar você, um pobre desdentado, magricelo, feio e pé rapado, na maior sensação do momento no seleto (ah-há) círculo das celebridades.

Não vou desmerecer nem enaltecer feitos de ninguém. Já disse, não faço campanha política eleitoral e também não estou a fim de debater a decisão judicial que resultou na multa do PT por puxar a sardinha de sua pré-candidata. Apenas quero refletir sobre essa democracia, onde ganha as eleições aquele que gasta mais dinheiro em comícios, se propõe a maior preocupação e exposição da própria imagem e sabe abrir um belo sorriso quando necessário. Sim, porque entre uma boa lábia que te convença com um monte de lorotas e alguém sério que aponte a realidade social, vamos ser francos, todo mundo vota na primeira opção.

É fato que inocência e honestidade não existem no jogo político. Quem não segue as regras, está fora. Além da arte de embromar, é necessário fazer alianças, conchavos, fingir que não enxerga, engolir sapo, angariar fundos para campanha eleitoral em troca de favores. Se não for assim, conseguir qualquer coisa vai ser difícil. Quando vejo os escândalos sobre nossa massa parlamentar e o questionamento da sociedade sobre quem estaria envolvido ou quem mais sabia, a resposta que me vem à mente é muito simples. Todo mundo.

Safadeza? Não, não. A regra é essa. Não sei se concordo com Maquiavel quando ele diz que todos os homens são maus por natureza e estão dispostos a se corromper. Mas acredito que, não importa se os seus propósitos são íntegros ou não, para chegar ao poder na política brasileira, ah, mas tu vai ter que dar uma aliviada forte, jurar que não está vendo, dar uma mãozinha de leve, e por aí vai. Para os iniciantes que ainda não tem parcerias para formar, aconselho que antes de começarem a se corromper com terceiros, se corrompam consigo mesmo. É o marketing, minha gente, o marketing. Deixe-me explicar.

Em primeiro lugar, mude seu visual e conquiste o eleitorado pobre, porque o grosso do ouro está ali, na pobretada. E não pense que você deve ser como eles, para que haja uma identificação e todos queiram ser representados por você. Jamais! Isso aqui não é um comercial de xampu! Pobre não vota em pobre igual a ele. Você acha que quando o Lula se apresentava com as mangas da camisa dobrada, estilo trabalhador boladão, alguém votava nele? Não, não. Mas, para sorte de nosso atual presidente, um belo de um marketeiro lascou-lhe um paletó de primeira e pimba! Ele se tornou o pica da nação!

Como outro exemplo, veja a própria Dilminha. A mulher tirou os óculos, arrumou o cabelo, trocou as roupas e colocou botox em tudo que é buraco. Até mais sorridente dizem que ela anda. E agora, está rumo ao primeiro lugar nas pesquisas. Falando nisso, o bom humor também conta. Ta fudido, gatinho? Ta sofrendo? Abstraia tudo isso de sua mente e dê um belo sorriso para a população que vai pagar o seu salário, em breve! Tire foto com a criança descabelada, faça carinho no cachorro pulguento, abrace o bêbado no botequim. É assim que começa.

E digo mais, esperta como sou, vou largar essa história de jornalismo – porque, com raríssimas exceções, jornalista é tudo um bando de ferrado – e cambiar para o negócio político. Além de achar que eu tenho o dom para a coisa, dá muito mais dinheiro e prestígio. Sim, estou ansiosa para dar aquela corrompida. E que soem os tambores. Estou apenas esperando que alguém se aproxime e pergunte: “Ei, você. Faz um marketing pra mim?”.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Há uma cena muito interessante em "Nazarin" de Luis Bunuel, que retrata o que você diz muito bem em seu texto.
    Um padre se torna jardineiro na residência de uma família burguesa, e, ao adentrar a residência, quando os "patrões" chegam, ele se apresenta como padre e é desdenhado, porque estava 'jardineiro'. Sai e retorna em dois minutos com a batina (agora respeitável) e a família o trata como uma autoridade, beijando-lhe a mão com reverência.
    A sociedade, em geral, faz o mesmo ao conferir importância para os bens vestidos e apresentáveis burgueses.
    Lula foi eleito, pelos pobres especialmente, porque se tornou burguês e se apresentou e se apresenta como tal. E adorou a sua nova condição!
    Bjs.

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Áhh, que fofo você comentar!!!