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16 de abr de 2010

A grande fábrica



relatos de uma antropóloga 
sensações olfativas empíricas
 

Sempre começa às quatro da tarde, primeiro o office boy abre com chave de ouro, depois, o cara do departamento de pessoal lança seu veneno, aí meu bem, vem a prole toda, dando início a grande festança dos dejetos fantásticos de chocolate.
Apenas dois banheiros simpáticos recebem toda a potência produtiva, um grande e outro pequeno, INFELIZMENTE, próximos a minha mesa. Na verdade me tornei a antropóloga da cagada, aquela que monitora o nível de produção da galerona.
A minha tarde segue preenchida de odores desagradabilíssimos, cada qual lutando como pode, remoendo-se nas dores do parto. Mas o pior mesmo é ficar imaginando as cenas pasolinescas, com bundas cabeludas, caras vermelhas fazendo força e aquelas espremidas na barriga com o braço, pra otimizar a situação.
Uma descarga, duas, três, até quatro, tudo pra garantir que a noiva cumpra o caminho do altar sem deixar daminhas de honra perdidas ao relento. Importante também é não deixar vestígios do véu da noiva, que geralmente adquiri uma cor levemente amarronzada. Ele deve descer juntamente com o cadáver.
E assim termina mais um dia de rotina, todo mundo sai com a cara meio suadinha, mas com a barriga leve e o espírito exorcisado.

Observar a rotina sacal do bicho homem é de fato apaixonante, não é mesmo? Óhhh!

Mas sinceramente amigos, eu torço por uma alimentação mais natural para todos os operários da fábrica de bosta onde trabalho. Dignidade já!

Um comentário:

Áhh, que fofo você comentar!!!